Realmente

No início da nossa existência aprendemos a falar repetindo as palavras que nos foram insistentemente repetidas e repassadas por nossos pais e pessoas mais velhas. Depois que aprendemos a falar, vamos somando àquelas palavras que já conhecemos outras que enriquecerão nosso vocabulário e nos ajudarão a melhor transmitirmos nossas idéias.
Falar é a melhor forma de nos comunicarmos. Nos primórdios da história, no tempo dos hominídeos, os homens não pensavam e nem falavam. Mesmo quando aprenderam a fazer essas duas coisas, viviam em grupos isolados, porque as famílias e tribos recém estavam se formando. E as distâncias eram muito grandes. Daí que cada grupo tinha a sua maneira de falar. Foi quando surgiram os idiomas.
Vamos nos ater a um determinado povo que fale o mesmo idioma. No caso do Brasil, por exemplo, é o português. Para facilitar a comunicação de brasileiros entre si, organizou-se a língua portuguesa através de livros, como a gramática e os dicionários. Quando nos expressamos temos que ter o cuidado de sermos bem entendidos por quem nos ouve ou nos lê. Quanto melhor e mais claro a pessoa se expressar, melhor será entendida. Principalmente quando se dirigir a um público.
Na linguagem coloquial, aquela que falamos entre familiares, amigos em mesa de bar, ou no ambiente de trabalho, não há rigor excessivo de que se fale dentro das regras rígidas da gramática, nem usar termos rebuscados. Isso dificulta a comunicação. Quem age assim é tido como prepotente. Que está querendo aparecer. Existem pessoas que têm a obrigação de falar e escrever bem. Como é o caso de jornalistas, radialistas e pessoas públicas, enfim. Falar bem é ser claro e objetivo. Quem for sofisticado e falar uma linguagem rebuscada, vai se comunicar mal. A receita é ser simples, mas não grotesco.
Tem artistas e políticos que se esforçam para falar errado, muitas vezes fazendo-se de simplórios e ignorantes para cativar um público específico, como os nossos irmãos caipiras e aqueles que não tiveram oportunidade de estudar. Assim procediam o imortal cantor Teixeirinha e o ex-presidente Lula. É uma estratégia que rende audiência e votos, mas prejudica a própria imagem do artista e do político. E o pior, o mais triste, mantêm na ignorância aqueles que lá já estavam involuntariamente.
Para falar ou escrever bem deve-se ler muito. Evitar o uso repetitivo de palavras que acha bonita, ou diferente, mas que nem sempre se encaixam na frase. Dizer só por dizer, por achar bonito, sofisticado, como é o caso dos famigerados “realmente”, “agregar”, ou “literalmente”, que muita gente usa e abusa, me dá vontade de vomitar. Este recurso atrapalha a comunicação, é desagradável, é chato demais de se ler ou ouvir. Isto demonstra que a pessoa que está falando ou escrevendo é limitada. E é só o que se escuta e se lê, todos os dias. Prestem bem atenção. Eu não sei se rio ou se choro. As palavras devem ser usadas no momento certo, com moderação e não serem repetidas muito próximas uma da outra. Abusar delas é “realmente” um erro lamentável.