Necessário para a contenção do avanço do coronavírus, o isolamento social impactou severamente os negócios de eventos no país. Pesquisa do Sebrae, em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), mostra que a pandemia impactou 98% das empresas do segmento.
Para driblar os efeitos da crise, os empresários vem buscando alternativas para manterem-se no mercado. O setor de eventos atua sempre em cadeia, são muitos fornecedores envolvidos. Assim, cada evento cancelado impacta mais de uma empresa.

Na sexta-feira (10), estiveram reunidos em um salão de eventos da cidade, representantes de diversos seguimentos ligados à área de eventos, entre eles proprietários de salões, büffets, DJs, fotógrafos, decorações, aluguéis de trajes e vestidos, cerimonialistas e outros, que estão paralisados desde março, tentando viabilizar alguma forma de voltar as atividades, ou receber algum tipo de auxílio governamental, visto que o setor não foi contemplado por nenhuma modalidade de ajuda, com exceção do Pronampe, um programa de liberação de créditos a juros menores, mas que não abarca todos os operadores de eventos, pois muitos não se encaixam nos requisitos cobrados.
Entre outras discussões em pauta, esteve a isenção de cobrança de alvará de funcionamento dos microempreendedores individuais – MEI – , pois segundo nova redação da lei complementar nº 147, de 2014 “ficam reduzidos a 0 (zero) todos os custos, inclusive prévios, relativos à abertura, à inscrição, ao registro, ao funcionamento, ao alvará, à licença, ao cadastro, às alterações e procedimentos de baixa e encerramento e aos demais itens relativos ao Microempreendedor Individual, incluindo os valores referentes a taxas, a emolumentos e a demais contribuições relativas aos órgãos de registro, de licenciamento, sindicais, de regulamentação, de anotação de responsabilidade técnica, de vistoria e de fiscalização do exercício de profissões regulamentadas”.

Decoração

Aline Porto, decoradora de eventos, diz que há dúvida, pois “o cliente quer uma reposta nossa para se organizar e não temos nada a falar a eles. Isso afeta os clientes de se preparar e se organizar. Afeta até mesmo a nossa agenda para os próximos eventos que seriam para o ano que vem. Não temos recursos que suportem tanto tempo parado. A palavra que estamos escutando é reinventar, mas como? Em uma situação dessas que tudo está sendo proibido dentro do setor eventos”, desabafa.

Salão e Alimentação

Para Bruno Pereira, proprietário de salão de eventos e büffets “Está complicado, pois estamos com uma estrutura grande parada, estamos na luta para tentar voltar a trabalhar. Só estou conseguindo me manter porque tenho um restaurante no centro da cidade e já está funcionando”, fala.

Fotografia

“A questão dos agendamentos está complicada”, define o fotógrafo Michael Alves. “Os clientes querem agendar, mas a incerteza afeta todos e também pegando o financeiro, provocando o medo de marcar e chegar no dia e não poder ter o serviço. Estou tentando focar em books e fotos que fujam de eventos. Hoje, os seiscentos reais do governo é um amparo, mas não supre”.

DJ

O DJ Diego Correia conta que já está com a agenda cheia para 2021 e já marca compromissos para 2022. “Tive 69 datas adiadas e fechei 21 contratos e isso está me salvando. Nós trabalhamos com festas de 15 anos e a maioria das família já tem o dinheiro guardado e prefere já ir pagando, então não somos totalmente afetados, Mas estou em casa, tenho uma filha pequena, estamos presos financeiramente e psicologicamente. Estou me mantendo com esses contratos que estão sendo fechados, então vou me recuperando aos poucos”.

Filmagem

Ana Paula Oliveira e seu esposo trabalham com filmagens. No início de 2020 fizeram um investimento na empresa. O objetivo era acompanhar as novas tecnologias e proporcionar melhor qualidade no trabalho entregue ao cliente, “e simplesmente trancou tudo, a questão das datas foi que os eventos desse ano foram remarcados para 2021, porem já há eventos para 2021, então tivemos que ajustar. Graças a Deus temos uma segunda opção de profissão, sou pedagoga e meu noivo é professor de física, acabamos pegando menos aulas por conta dos eventos já marcados, não estamos passando dificuldades, porém tivemos que diminuir bastante os gastos e pagar os equipamentos que compramos no início do ano”.

Aluguel de roupas

Lucia Melo, diz que tem se esforçado para manter a conta de energia elétrica em dia. Ela tem empresa de locação de trajes e vestidos e conta que comemorou a reabertura dos comércios, porém como sua loja depende dos eventos, até o aluguel de sua sala está atrasado. “Está bem difícil”, diz.

Formaturas

As escolas também foram afetadas e Gean da Silva Albino, que trabalha com formaturas desistiu da ideia de contratar um estagiário e agora, aguarda a retomada pós pandemia”.
Na reunião definiu-se que o grupo, que deve se reunir na tarde de hoje (13) com o deputado estadual José Milton Scheffer vai construir uma estratégia que permita o estabelecimento de um plano de ação para garantir o funcionamento do setor sem prejudicar a saúde da população.