A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) manifestou-se neste sábado (03) sobre os recentes acontecimentos na Venezuela. A entidade acompanha com cautela o cenário geopolítico e avalia que, por ora, é prematuro apontar impactos diretos na produção industrial catarinense.
Embora a situação política vizinha seja instável, o laço comercial direto é pouco significativo. Segundo dados consolidados de 2025, a Venezuela respondeu por apenas 0,24% das exportações e 0,12% das importações de Santa Catarina.
O que SC compra e vende
A pauta comercial entre o estado e o país vizinho é concentrada em poucos itens estratégicos.
Exportações: O principal produto enviado por Santa Catarina foram máquinas agrícolas, movimentando US$ 15 milhões.
Importações: O estado depende da Venezuela principalmente para adubos e fertilizantes (US$ 126 milhões), o que representa 3% do total importado pelo setor. Outro destaque é o alumínio bruto (US$ 93 milhões), fazendo da Venezuela o terceiro maior fornecedor deste insumo para a indústria local.
O temor do “Tarifaço”
Para Gilberto Seleme, presidente da FIESC, a preocupação maior não está no comércio bilateral, mas nas relações diplomáticas mais amplas, especialmente com os Estados Unidos.
A entidade teme que o posicionamento político do governo brasileiro diante da intervenção na Venezuela possa contaminar as negociações comerciais com os norte-americanos, especificamente na questão do aumento de tarifas de importação (o chamado “Tarifaço”).
“A expectativa da FIESC é que o posicionamento brasileiro não afete as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos… e que as conversas nesse sentido se mantenham baseadas em critérios técnicos”, afirmou Seleme.
Impacto na Mão de Obra
Outro ponto de atenção levantado pela indústria é o fluxo migratório. Entre abril de 2018 e janeiro de 2024, a Operação Acolhida interiorizou 27,2 mil venezuelanos para Santa Catarina. Essa força de trabalho tornou-se essencial para preencher vagas na indústria e serviços do estado, que vive situação de pleno emprego.
A dúvida agora é se uma eventual estabilização ou mudança de regime na Venezuela poderia gerar um movimento de retorno. “Hoje, a indústria de SC conta com a força de trabalho de venezuelanos… Dependendo do que veremos para frente, existe a possibilidade de o país se tornar novamente atrativo para esses imigrantes”, avalia o presidente da FIESC.












