A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) consolidou mais um passo importante na diplomacia da saúde ao receber, na última semana, uma delegação oficial de Moçambique e representantes da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS). A visita técnica, realizada na unidade da Fiocruz em Brasília, teve como objetivo central estreitar a cooperação Sul-Sul, promovendo o intercâmbio de estratégias voltadas à saúde coletiva e ao desenvolvimento social.
Segundo informações divulgadas pela Agência Fiocruz de Notícias, a agenda reuniu 24 participantes, incluindo oito integrantes da comitiva moçambicana, especialistas da CNODS e a equipe técnica da Fundação. O encontro serviu para reafirmar o papel do Brasil e da instituição como referências na articulação entre ciência, políticas públicas e justiça social.
Tecnologia social e inteligência cooperativa
Um dos pontos altos da visita foi a apresentação conduzida pelo CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS/Fiocruz Brasília). A equipe demonstrou o funcionamento da Plataforma de Inteligência Cooperativa com Atenção Primária à Saúde (Picaps). A ferramenta tem se destacado por auxiliar na implementação prática dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos territórios, fortalecendo a ponta do sistema de saúde.
A apresentação da metodologia brasileira causou impacto positivo nos gestores africanos, que buscam soluções aplicáveis à realidade de seu país.
“Ficamos maravilhados com o nível e a capacidade técnica da Fiocruz, especialmente no que se refere à análise e à territorialização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com destaque para o ODS da saúde”, afirmou a diretora nacional de Planificação do Ministério da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Cristina Matusse.
Desafios globais e soluções integradas
O evento contou com a presença do epidemiologista Rômulo Paes, coordenador do Centro de Estudos Estratégicos Antonio Ivo de Carvalho (CEE-Fiocruz), que na ocasião representou o presidente da Fundação, Mario Moreira. Paes sublinhou que a complexidade dos problemas atuais exige uma mudança de paradigma, saindo de ações isoladas para um modelo de cooperação robusta.
“O desenvolvimento sustentável se apresenta como uma plataforma e uma agenda a partir da qual é possível identificar as principais alternativas de políticas públicas para enfrentar os grandes desafios do planeta. Não se trata mais de um tempo de soluções isoladas; hoje, as respostas dependem da cooperação, da compreensão das diferenças e da busca por possibilidades de ações integradas”, pontuou Rômulo Paes.
Para a equipe da Fiocruz, a validação da metodologia por parceiros internacionais abre portas para expandir a atuação junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“Foi uma importante oportunidade de submeter a metodologia que o CoLaboratório vem implementando para acelerar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos territórios ao crivo de uma equipe de gestores da área de planejamento e monitoramento ao nível nacional. Os feedbacks positivos nos deixam animados com o trabalho que temos realizado e abrem possibilidades de cooperação com países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, destacou o coordenador do CTIS/Fiocruz Brasília, Wagner Martins.












