O mercado financeiro brasileiro registrou um desempenho extraordinário nesta quarta-feira (21), impulsionado por uma onda de otimismo vinda do exterior. Em um dia de quebra de recordes, o Ibovespa, principal índice da B3, apresentou sua maior valorização diária desde abril de 2023, aproximando-se da inédita marca de 172 mil pontos. O movimento foi sustentado pelo forte ingresso de capital estrangeiro e pela redução das tensões geopolíticas.
Ao fim do pregão, o índice consolidou alta de 3,33%, encerrando cotado a 171.817 pontos. Durante o dia, o indicador rompeu barreiras sucessivas, superando pela primeira vez a faixa entre 167 mil e 171 mil pontos. O volume financeiro negociado atingiu R$ 43,3 bilhões, um montante significativamente superior à média diária registrada em 2026, sinalizando o retorno do apetite ao risco por parte dos investidores.
O fator Trump e o cenário externo
A euforia no mercado doméstico ganhou tração principalmente no período da tarde, alinhada à performance positiva de Wall Street. O gatilho para a melhora no humor global foi a mudança de tom do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo informações da Reuters, o líder norte-americano recuou de sua retórica agressiva sobre a imposição de novas tarifas comerciais, especificamente em relação à União Europeia, e descartou o uso de força militar nas disputas geopolíticas envolvendo a Groenlândia.
Essa sinalização de estabilidade fez com que o índice S&P 500, em Nova York, subisse mais de 1%. Ainda conforme reportado pela Reuters e pela Agência Brasil, a redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), tidos como o porto seguro do investimento global, também favoreceu ativos de maior risco, drenando liquidez para mercados emergentes como o brasileiro.
Câmbio e fluxo de capitais
No mercado de câmbio, o real se fortaleceu consideravelmente. O dólar à vista encerrou o dia em queda de 1,1%, cotado a R$ 5,321, após recuar R$ 0,061. A moeda norte-americana operou em baixa durante toda a sessão, renovando mínimas conforme o cenário externo se tornava mais benigno. Este é o menor patamar de fechamento desde 4 de dezembro, data que antecedeu o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência. No acumulado de 2026, a divisa já apresenta desvalorização de 3,06%.
Dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira corroboram o cenário de atratividade do Brasil. Até o dia 16 de janeiro, o país registrou uma entrada líquida de US$ 1,54 bilhão, impulsionada majoritariamente pelo canal financeiro. Apenas na bolsa, investidores estrangeiros injetaram R$ 7,6 bilhões líquidos até a metade do mês, contribuindo para a alta acumulada de 6,6% do Ibovespa no ano.
Apesar de notícias corporativas locais, como a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master, o evento não teve força para contaminar o preço dos ativos ou reverter o otimismo generalizado do dia.












