O modal ferroviário em Santa Catarina registrou um volume total de 6.172.708 toneladas de cargas transportadas ao longo de 2025. O levantamento foi divulgado pela Diretoria de Modais de Transporte e Gerência de Ferrovias da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), baseando-se em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O balanço aponta um equilíbrio na operação entre as duas principais concessionárias que atuam no estado. A Ferrovia Tereza Cristina (FTC) foi responsável pelo transporte de 3,08 milhões de toneladas, com foco no carvão mineral destinado à termelétrica Jorge Lacerda e no fluxo de contêineres para o Porto de Imbituba. Já a Rumo Logística movimentou volume idêntico, somando outras 3,08 milhões de toneladas, majoritariamente compostas por granéis sólidos agrícolas — como soja e milho — com destino ao Porto de São Francisco do Sul.
Apesar dos números expressivos, o governo estadual avalia que há espaço para crescimento. O secretário da SPAF, Beto Martins, reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre a infraestrutura ferroviária no cenário nacional.
“Nós percebemos ano a ano que o potencial das ferrovias vem sendo subutilizado. Motivados pelo governador Jorginho Mello, estamos liderando um movimento dos estados do Codesul para que tenhamos espaço na discussão nacional sobre o tema, sobre a renovação da atual concessão e sobre os futuros investimentos. O setor produtivo aguarda por uma solução para que este modal seja uma alternativa ao desenvolvimento logístico”, avalia Martins.
Carvão e soja concentram a maior parte da demanda
A análise detalhada das cargas revela uma forte concentração em dois produtos específicos, que juntos representam mais de 76% de tudo o que foi transportado sobre trilhos em Santa Catarina no ano passado. O carvão mineral lidera com 2,5 milhões de toneladas, seguido pela soja, que somou 2,1 milhões de toneladas.
O milho também teve participação relevante, atingindo 853 mil toneladas, enquanto as cargas conteinerizadas somaram 566,6 mil toneladas. O restante do volume transportado inclui itens como adubo (orgânico e a granel), bobinas de aço, cloreto de potássio, ureia e combustíveis (gasolina e óleo diesel).
Eficiência logística no Porto de Imbituba
Um dos dados que chama a atenção no relatório da SPAF é a performance logística conectada ao Porto de Imbituba. A FTC movimentou mais de 560 mil toneladas de contêineres para o terminal, o que equivale a aproximadamente 43% de toda a movimentação de contêineres do local.
Esse índice coloca o Porto de Imbituba em uma posição de destaque nacional: é a instalação portuária brasileira que, proporcionalmente, mais utiliza a via ferroviária para receber ou expedir contêineres.
Desafios da malha e novos projetos
A infraestrutura atual apresenta um contraste entre a extensão instalada e a operacionalidade. Santa Catarina possui 1.373 km de malha ferroviária — sendo 1.210 km sob concessão da Rumo e 163 km da FTC. No entanto, apenas 373 km estão efetivamente em operação, o que corresponde a 26,4% da rede estadual. No cenário nacional, a malha catarinense ativa representa apenas 1,69% dos cerca de 21.510 km operacionais do Brasil.
Para reverter esse quadro e ampliar a capacidade logística, o estado aposta em novos empreendimentos e legislação própria. Dois projetos estão atualmente em fase de desenvolvimento com conclusão prevista para 2026: um trecho de 319 quilômetros ligando Chapecó a Correia Pinto, e outro de 62 quilômetros conectando Navegantes a Araquari.
Além das obras físicas, o marco legal foi atualizado em 2025 com a aprovação da Lei que instituiu o Sistema Ferroviário do Estado de Santa Catarina (SFE-SC). A nova regulação permite que o Estado atue como poder concedente, facilitando a exploração do transporte de cargas e passageiros tanto por concessões públicas quanto por autorizações privadas.












