O enfrentamento ao câncer do colo do útero continua sendo uma das maiores prioridades da saúde pública no Brasil, exigindo mobilização constante. No contexto da campanha Janeiro Verde, o Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) reforça que a vacinação contra o HPV é a ferramenta mais poderosa para frear o avanço desta doença, que figura entre as mais frequentes na população feminina do país. De acordo com informações de Michelle Valle, da Comunicação do Cepon, a prevenção primária é o caminho para transformar esse cenário.
O cenário da doença em Santa Catarina e no país
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) posicionam o câncer do colo do útero como o terceiro de maior incidência entre as mulheres, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Em Santa Catarina, a realidade reflete esse desafio: apenas em 2025, o Cepon — unidade estadual administrada pela Fahece — contabilizou 1.758 atendimentos a pacientes com este diagnóstico. O volume expressivo de casos confirma a urgência de fortalecer as políticas de imunização e conscientização.
A imunização como estratégia de proteção à vida
Para o diretor-geral do Cepon, Alvin Laemmel, a doença é, em sua essência, evitável através de ciência e informação. “A vacinação contra o HPV representa um dos maiores avanços da saúde pública na prevenção desse tipo de câncer. Ao incentivarmos a imunização, especialmente entre crianças e adolescentes, estamos investindo no futuro e protegendo vidas. Como hospital público de referência em oncologia em Santa Catarina, o Cepon reforça seu compromisso com a promoção da informação, da prevenção e do acesso às políticas de saúde”, destaca o diretor.
Causas e fatores de risco associados ao HPV
A raiz do problema reside na infecção prolongada por subtipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV). Embora o sistema imunológico muitas vezes elimine o vírus naturalmente, a persistência da infecção pode gerar lesões que, se não tratadas, evoluem para o câncer. Além da presença do vírus, outros fatores agravam o risco, como o tabagismo, a baixa imunidade, a multiplicidade de parceiros sexuais e a ausência de métodos de barreira, como o preservativo.
Eficácia da vacina e acesso pelo SUS
A gerente técnica do Cepon, Mary Anne Taves, enfatiza que a proteção vacinal é o método mais seguro. “A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde conforme orientação do Ministério da Saúde, previne a infecção pelo vírus e, consequentemente, as complicações e os cânceres associados”, afirma a gestora. Atualmente, o imunizante é oferecido na rede pública para meninos e meninas de 9 a 14 anos. Pacientes oncológicos, transplantados e pessoas vivendo com HIV/Aids têm direito à vacina até os 45 anos.
Sintomas e a importância do diagnóstico precoce
Um dos grandes perigos deste câncer é o seu caráter silencioso em fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, geralmente a doença já está em estágio avançado, manifestando-se por sangramento vaginal atípico (especialmente após o coito), dores pélvicas e corrimentos com odor forte. Por isso, o Cepon alerta que a realização do exame Papanicolau é indispensável, pois permite detectar alterações celulares antes que elas se tornem malignas, garantindo altas chances de cura.
A campanha Janeiro Verde serve como um lembrete vital: o acesso à informação e o cumprimento do calendário vacinal são as chaves para reduzir a mortalidade e garantir um futuro mais saudável para as catarinenses.












