Santa Catarina consolidou a criação de 59,2 mil novos postos de trabalho formais ao longo de 2025, ocupando a sétima posição entre os estados brasileiros que mais geraram empregos no período. Os dados, divulgados pelo Novo Caged e analisados pela Federação das Indústrias (FIESC), revelam que, embora o saldo seja positivo, o estado enfrenta uma desaceleração econômica. Com um crescimento de 2,3% em relação a 2024, Santa Catarina ficou na 23ª posição nacional em ritmo de expansão laboral, refletindo o impacto direto da política monetária restritiva e de fatores externos no setor produtivo.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, explica que a elevada taxa de juros tem cumprido seu papel de reduzir a atividade econômica e o consumo. Segundo o dirigente, o setor fabril é o primeiro a sentir esse movimento. “A indústria acaba sendo o setor em que essa perda de ritmo é mais visível. O emprego industrial de SC também foi afetado por questões externas, como o Tarifaço, que teve impacto negativo no saldo de empregos em setores como madeira e móveis, que encerraram o ano com perda de 2,8 mil vagas”, afirma Seleme.
Análise do desempenho por segmentos industriais
Dentro do setor industrial, que abriu 6,9 mil vagas no ano, o segmento de alimentos e bebidas foi o principal destaque. De acordo com informações do Observatório FIESC, a área gerou 3,8 mil oportunidades em 2025, impulsionada pelo consumo interno das famílias e pela expansão das exportações para novos mercados internacionais.
A construção civil registrou o segundo maior saldo, com 3,7 mil vagas, beneficiada pela continuidade do ciclo construtivo e pelo dinamismo do mercado imobiliário no litoral catarinense, que se mostra mais resiliente às altas taxas de juros. Já o setor de máquinas e equipamentos contribuiu com 2,8 mil postos, favorecido por safras recordes, políticas de depreciação acelerada e a recuperação econômica da Argentina.
Por outro lado, o cenário foi negativo para os setores de madeira e móveis, que perderam 2,8 mil postos devido ao impacto do “Tarifaço”. O setor têxtil, de confecção, couro e calçados também apresentou retração, encerrando o ano com o fechamento de 1,7 mil postos de trabalho.
Impacto dos juros nos serviços e no comércio
A atual conjuntura econômica tem afetado de forma distinta cada setor. Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, os juros elevados encarecem o crédito e comprimem o consumo de bens duráveis, o que penaliza cadeias produtivas longas. Em contrapartida, os setores de serviços e comércio apresentaram maior fôlego: o primeiro liderou com 38,7 mil vagas criadas em 2025, enquanto o comércio somou 12 mil novos postos. A agropecuária, por sua vez, contribuiu com 1,5 mil empregos no ano.
Resultado de dezembro confirma arrefecimento
Os dados referentes ao mês de dezembro reforçam a tendência de perda de tração da economia catarinense. No último mês do ano, o estado registrou o fechamento de 48 mil postos de trabalho. Todas as grandes áreas econômicas tiveram saldo negativo, com a indústria liderando as perdas ao eliminar 27,1 mil vagas.
O economista Pablo Bittencourt ressalta que o movimento sazonal foi mais intenso do que o previsto. “Embora a queda em dezembro seja esperada, o recuo ficou acima do esperado e reflete clara perda de tração da atividade industrial”, explica. No mesmo mês, o setor de serviços perdeu 15 mil vagas, o comércio registrou saldo negativo de 3,8 mil e a agropecuária teve uma queda de 2 mil postos.












