Nesta sexta-feira (30), em Florianópolis, o diretor de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Febraban, Adauto de Oliveira Duarte, apresentou uma análise do cenário de crédito atual durante reunião de diretoria na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). O levantamento aponta que o mercado de crédito brasileiro atravessa um período de cautela, influenciado pela perda de tração da indústria e pela manutenção de condições financeiras restritivas no início de 2026. De acordo com os dados divulgados pela FIESC, embora o crédito bancário permaneça disponível, o perfil das tomadas de recursos mudou, focando agora na manutenção operacional das empresas em vez de novos investimentos.
Perfil do crédito empresarial em Santa Catarina
O saldo de crédito para pessoas jurídicas no estado catarinense atingiu a marca de R$ 174,1 bilhões no acumulado de 12 meses até outubro de 2025. O dado mais relevante desse montante é a concentração de R$ 50 bilhões em linhas de capital de giro, indicando que as companhias estão financiando estoques, caixa e custos operacionais imediatos. Em contrapartida, os recursos destinados estritamente a novos investimentos somaram apenas R$ 3,6 bilhões, enquanto projetos de infraestrutura captaram R$ 32 bilhões.
Adauto de Oliveira Duarte explicou que esse movimento é um reflexo direto da conjuntura econômica. “Com a atividade econômica apresentando perda de ritmo, as empresas tendem a adiar decisões de expansão, reduzindo a demanda pela captação de recursos voltados a novos investimentos”, afirmou o diretor da Febraban durante o encontro. No total, o estoque de crédito em Santa Catarina somou R$ 385,6 bilhões, o que representa 5,4% da carteira nacional.
Descompasso entre recursos livres e direcionados
No panorama nacional, a desaceleração do crédito para empresas é visível na comparação entre os anos de 2024 e 2025. As linhas de recursos livres, que utilizam capital próprio das instituições financeiras, cresceram apenas 4% até novembro de 2025, uma queda acentuada frente à expansão de 11,5% registrada no ano anterior. Por outro lado, o crédito direcionado — que engloba o BNDES e o Plano Safra — saltou 25% no mesmo período, impulsionado por programas de fomento governamental.
O diretor ressaltou que o comportamento varia conforme o porte da organização. Enquanto as grandes empresas buscam alternativas no mercado de capitais para se financiar, as micro, pequenas e médias empresas continuam dependentes do crédito bancário tradicional para enfrentar o ciclo econômico desfavorável. Como consequência, a inadimplência nesse segmento segue em patamares elevados: em agosto de 2025, o índice era de 8,2% para pequenas empresas e 7,4% para microempresas.
Endividamento e comprometimento da renda das famílias
O relatório apresentado na FIESC também detalhou a situação das pessoas físicas, cujo saldo de crédito em Santa Catarina totalizou R$ 211,4 bilhões. O setor habitacional lidera com R$ 62,7 bilhões, seguido pelo crédito pessoal, com R$ 47,1 bilhões. Um dado preocupante é o nível de endividamento das famílias catarinenses, que chegou a 30,9% da renda anual em outubro de 2025 (excluindo o crédito habitacional).
Houve uma migração no perfil do consumo das famílias para modalidades com taxas de juros mais elevadas, como o cartão de crédito e o crédito pessoal não consignado. Segundo Duarte, essa mudança é um fator de risco para a economia local. “Essas modalidades possuem juros mais altos, o que contribui para o aumento da inadimplência e para o maior comprometimento da renda disponível”, concluiu o executivo da Febraban.












