A Câmara de Vereadores de Forquilhinha realizou, na última segunda-feira (9), a sua 2ª Sessão Ordinária de 2026, marcada por discussões sobre representatividade negra e políticas de ação afirmativa. O encontro, ocorrido no plenário da Casa Legislativa, teve como ponto central o lançamento do livro “Racistas não passarão”, de Sérgio Nunes Vitório Júnior, e serviu para pautar a importância das cotas raciais no atual cenário catarinense. De acordo com informações oficiais da Câmara Municipal, os parlamentares também utilizaram o sistema de votação eletrônica para deliberar sobre projetos do Poder Executivo e indicações de infraestrutura.
Lançamento de livro e debate sobre representatividade
Durante o uso da tribuna, o autor Sérgio Nunes Vitório Júnior apresentou sua obra como um convite à reflexão sobre a ocupação de espaços de poder e decisão pela população negra. Em sua fala, o escritor questionou a invisibilidade de profissionais negros em diversos setores da sociedade. “Queremos ver, sim, pessoas negras ocupando espaços. Quantos empresários negros você conhece? Quantos advogados negros já te atenderam? Se 23% da população do Estado é negra, será que essas pessoas não existem ou estão sendo silenciadas? A proposta deste livro é justamente convidar para esse debate”, afirmou Sérgio.
A relevância do tema foi reforçada pela professora da Unesc, Normelia Ondina Lalau de Farias, que defendeu as cotas como mecanismo de reparação histórica. Para a educadora, a realização deste debate em Forquilhinha possui um simbolismo importante. “Isso precisa ser corrigido. As cotas são uma reparação de um processo histórico. Penso que somos resistentes e peço que todos reflitam sobre essa questão das cotas. Um espaço como este, para o lançamento de um livro desse, em uma Câmara de uma cidade de imigrantes alemães, é muito significativo. Precisamos que nossos jovens tenham acesso às cotas para que possam dar contribuições ainda maiores à sociedade”, pontuou a professora.
Contexto estadual e enfrentamento ao racismo
A discussão na Câmara ocorre em um momento de transição nas políticas afirmativas de Santa Catarina. Em janeiro de 2026, foi sancionada a Lei Estadual nº 19.722/26, que restringe a adoção de cotas em instituições de ensino superior que utilizam recursos públicos estaduais. Nesse cenário, a professora Edilaine Leonor, com atuação em colégios de Criciúma, utilizou trechos da obra lançada para destacar que o enfrentamento ao racismo estrutural depende de diálogo constante e acesso à informação, reforçando que temas fundamentais para a igualdade ainda precisam de ampla explicação pedagógica e social.
A sessão foi acompanhada por diversas autoridades, incluindo representantes da área jurídica, assistência social e educação, consolidando o Legislativo municipal como um espaço para o pluralismo de ideias.
Aprovação de projetos do Poder Executivo
No expediente destinado à ordem do dia, o plenário aprovou por unanimidade o Projeto de Lei do Executivo nº 001/2026, que trata da aquisição de fração ideal de imóvel por meio de doação ao município. Também avançaram na pauta o Projeto de Lei nº 002/2026, referente à extinção da Secretaria da Fazenda e reorganização administrativa conforme legislação anterior, e o Projeto de Lei nº 003/2026, que altera dispositivos de uma lei municipal de 2020.
Indicações para melhorias na infraestrutura urbana
Além dos projetos de lei, os vereadores apresentaram demandas voltadas à mobilidade e bem-estar da população. Entre as solicitações enviadas ao Executivo destacam-se:
Indicação nº 001/2026: Instalação de lombofaixa na Avenida 25 de Julho, no cruzamento com a ponte da Rodovia Antônio Walmor Canela (Centro).
Indicação nº 002/2026: Pavimentação asfáltica da Rua Gélsio de Oliveira, no bairro Saturno.
Indicação nº 003/2026: Melhorias e implantação de recreação infantil no Centro Comunitário de São Pedro.
Indicação nº 004/2026: Pavimentação asfáltica da Rua Davi Monteiro, no bairro Vila Lourdes.












