O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM) reuniu-se na segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, em Florianópolis, para manifestar preocupação com a proposta de revisão da jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional. Segundo as entidades, a migração para o regime de 36 horas semanais pode causar uma retração de até 11% no Produto Interno Bruto (PIB) e elevar os custos diretos da indústria em R$ 178 bilhões anuais. O setor defende que o debate seja pautado por critérios técnicos e dados econômicos, evitando a influência do calendário eleitoral na decisão.
Impactos nos custos de produção e inflação
Conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da FGV/IBRE citados durante o encontro, a mudança estrutural impõe desafios à competitividade brasileira. O custo do emprego poderia subir cerca de 25% com a redução da carga horária, gerando um efeito cascata nos preços ao consumidor.
De acordo com informações da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), fonte oficial do levantamento, a pressão sobre os custos operacionais deve forçar o repasse aos preços finais de produtos e serviços. Esse movimento impactaria diretamente a inflação e reduziria o poder de compra da população, além de estimular o aumento da informalidade no mercado de trabalho.
Panorama do emprego em Santa Catarina
A realidade laboral catarinense apresenta particularidades que preocupam o COFEM. Dados da Facisc indicam que 71% dos trabalhadores formais do estado possuem contratos de 41 a 44 horas semanais, índice superior à média nacional de 60%. Na indústria catarinense, esse percentual atinge 86%, conforme estudo do Observatório FIESC.
As entidades destacam que o estado vive uma situação de pleno emprego, com taxa de desocupação de apenas 2,3% no terceiro trimestre de 2025 — a menor do país. A dificuldade em preencher vagas é visível em setores estratégicos. Na área de transportes, por exemplo, a Fetrancesc aponta uma redução de 22% no número de caminhoneiros na última década, caindo de 5,6 milhões em 2015 para 4,4 milhões em 2025.
Competitividade e comparações internacionais
Na visão dos integrantes do conselho, o chamado “Custo Brasil” — que engloba insegurança jurídica, alta carga tributária e infraestrutura deficitária — já prejudica a competitividade nacional. O grupo argumenta que a redução da jornada, aliada à estagnação da produtividade, tornaria o ambiente de negócios ainda mais adverso.
O COFEM ressalta que economias desenvolvidas e estáveis, como Alemanha, Dinamarca e Holanda, mantêm jornadas de até 48 horas. O exemplo da França também foi citado como alerta: o país, que reduziu sua jornada no passado, estuda atualmente reverter a medida devido aos impactos negativos observados, especialmente em pequenas e médias empresas.












