A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou para o risco de pancreatite associado ao uso de medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, e reforçou que esses produtos devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico. O comunicado foi divulgado após o aumento de notificações de casos graves no Brasil e no exterior.
O alerta envolve medicamentos que contêm dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, utilizados principalmente no tratamento do diabetes e da obesidade. Desde junho de 2025, esses remédios só podem ser vendidos mediante retenção da receita médica, conforme normas da Anvisa.
A medida foi adotada diante do risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, que pode evoluir rapidamente e levar à morte. Dados divulgados pela Agência Reguladora de Medicamentos do Reino Unido (MHRA) apontam que, entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas 1.296 notificações da doença, incluindo 19 óbitos, em pacientes que utilizavam agonistas de GLP-1.
Segundo a Anvisa, embora a pancreatite já esteja descrita na bula desses medicamentos, houve crescimento no número de registros internacionais e nacionais. O uso sem indicação médica, especialmente para fins estéticos ou emagrecimento rápido, aumenta significativamente os riscos à saúde.
A agência também destaca que o uso sem acompanhamento dificulta o diagnóstico precoce de reações adversas, o que pode comprometer o tratamento. Em casos de suspeita de pancreatite, a orientação é buscar atendimento médico imediato e interromper o uso do medicamento.
Além disso, a Anvisa reforça a importância da notificação de efeitos colaterais por meio do sistema VigiMed, para contribuir com a identificação de novos riscos e a adoção de medidas regulatórias.
Nos últimos anos, a agência já emitiu outros alertas relacionados aos agonistas de GLP-1. Em 2024, informou sobre o risco de aspiração durante anestesia. Em 2025, alertou para a possibilidade rara de perda súbita de visão associada à semaglutida.
A recomendação é que profissionais de saúde monitorem pacientes em uso desses medicamentos e orientem sobre sinais de alerta, como dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Já os pacientes devem evitar a automedicação, não adquirir produtos por meios irregulares e seguir rigorosamente as orientações médicas.












