A Unesc oficializou, na última terça-feira (10/02), a abertura da Formação Permanente de Docentes 2026 no auditório Ruy Hülse, em Criciúma. O evento marcou o início do calendário acadêmico do primeiro semestre e reuniu professores de diversas áreas para discutir os desafios contemporâneos do ensino superior. Segundo informações da assessoria de imprensa da Unesc, o programa deste ano prioriza a reflexão sobre o impacto dos afetos na aprendizagem, além de abordar temas como Inteligência Artificial (IA), metodologias ativas e acessibilidade pedagógica.
Foco na cultura de paz e no novo perfil do estudante
Durante a cerimônia de abertura, a reitora em exercício, Gisele Coelho Lopes, enfatizou a necessidade de fortalecer a cultura de paz dentro da instituição. Em seu discurso aos professores, ela questionou o impacto das ações docentes na vida dos acadêmicos em 2026. “A forma como chegaremos à sala de aula vai determinar o quanto o aluno vai se importar por aquilo que compartilharemos. É comum que o novo perfil do acadêmico não fale nada em sala de aula e esse silêncio importa, nos preocupa. Antigamente haviam conversas em excesso, mas atualmente nos preocupamos com esse diferenciado comportamento que precisa ser levado em consideração”, pontuou a gestora.
Gisele ressaltou ainda que a formação permanente é um processo contínuo que se estende por todo o ano letivo. De acordo com a reitora, o corpo docente deve estar preparado para lidar com a curricularização da extensão, a pesquisa na graduação e o uso de didáticas que estimulem o pensamento crítico. “Essa Formação Permanente foi preparada para que possamos, juntos, refletir sobre o nosso papel diante de um novo cenário que cada vez mais nos apresenta infinitas oportunidades”, completou.
A empatia como decisão racional no ambiente acadêmico
O destaque da primeira noite foi a palestra “Entre afetos e aprendizagens: construindo relações saudáveis na Universidade contemporânea”, ministrada pelo psicólogo e pesquisador Paulo Roberto de Andrada Pacheco. O palestrante utilizou os conceitos da filósofa Edith Stein para explicar que a empatia é fundamental para a estrutura de uma comunidade. “A empatia é uma decisão. Muitas vezes pensamos que é apenas um movimento afetivo, pura e simplesmente. Mas não: a empatia é uma decisão racional, em que o sujeito se dispõe ao encontro vivo com o outro, um outro ser vivo, efetivamente”, explicou Pacheco.
O pesquisador também manifestou sua percepção positiva sobre o modelo de universidade comunitária da Unesc. Segundo ele, a vivência institucional demonstra um desejo real de integrar a ciência ao valor da verdade e ao acolhimento. “Estou impressionadíssimo com o que vi aqui. Nunca tinha visto nada parecido com isso em que essa vivência comunitária que vai além do modelo institucional por si só e se mostra como desejo de viver, de fato, a comunidade em um ambiente científico”, afirmou o psicólogo.
Cronograma prevê oficinas de tecnologia e inclusão
A programação da Formação Permanente continua nesta quarta e quinta-feira (11 e 12/02), abrangendo todas as áreas do conhecimento. As atividades incluem reuniões de colegiado, planejamento estratégico e oficinas para a elaboração de planos de ensino. Conforme o cronograma divulgado pela Unesc, o segundo estágio da formação contará com workshops sobre ferramentas digitais e o impacto da Inteligência Artificial no ambiente universitário, além de sessões dedicadas à prática pedagógica inclusiva e ao atendimento de alunos com necessidades específicas.
Compromisso com o ensino humanizado
Para a pró-reitora de Ensino, Graziela Fátima Giacomazzo, o evento é uma oportunidade de reafirmar o compromisso da universidade com a excelência acadêmica e a qualificação pedagógica. Ela destaca que o tema central surge das demandas observadas em programas como o Acolher e o Sama, além da Secretaria de Diversidades e Políticas de Ações Afirmativas.
“O vínculo humano em um mundo de transformações tão rápidas, no qual a tecnologia avança com a velocidade e os desafios sociais que se ampliam cada vez mais, a educação continua sendo um espaço no qual a mudança acontece por meio do olhar atento, das relações genuínas e da promoção do respeito e da inclusão”, declarou Graziela. A pró-reitora reforçou que a formação foi planejada para conectar a prática educacional aos desafios da sociedade contemporânea, indo além de conteúdos e metodologias tradicionais.












