A Secretaria Estadual da Saúde (SES) confirmou, nesta semana, o primeiro registro de mpox no Rio Grande do Sul no ano de 2026. O diagnóstico foi identificado em um paciente residente de Porto Alegre, marcando o início das notificações positivas do vírus no estado para este ciclo anual. Segundo informações divulgadas pela Ascom SES, embora a circulação do vírus tenha apresentado queda desde o surto global de 2022, casos esporádicos continuam sendo monitorados pelas autoridades sanitárias gaúchas.
O cenário epidemiológico recente revela uma estabilidade no número de ocorrências: o estado contabilizou 21 confirmações em 2024 e 22 registros em 2025. No balanço atual de 2026, além do caso confirmado na capital, o sistema de vigilância já descartou nove notificações suspeitas, enquanto outros dois pacientes permanecem sob investigação laboratorial.
Características e formas de contágio da infecção
A mpox é uma enfermidade causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, pertencente à mesma família da varíola. O quadro clínico é caracterizado pelo surgimento de lesões cutâneas, que podem se manifestar como bolhas ou crostas em diferentes partes do corpo. Outros sintomas frequentes incluem febre, dores de cabeça, dores musculares e o aumento de linfonodos (ínguas).
De acordo com a SES, a transmissão ocorre prioritariamente por meio do contato direto e prolongado com indivíduos infectados. O contágio indireto, embora menos comum, também é possível através do manuseio de objetos, roupas ou superfícies contaminadas por secreções das lesões.
Protocolos de prevenção e assistência à saúde
Para conter a disseminação do vírus, a autoridade estadual recomenda a adoção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e o uso de álcool em gel. A orientação técnica reforça que itens de uso pessoal não devem ser compartilhados e que o contato com pessoas que apresentem lesões suspeitas deve ser evitado até que haja um diagnóstico definitivo.
Cidadãos que identificarem sintomas compatíveis com a doença devem procurar atendimento médico imediatamente. As unidades municipais de saúde estão instruídas a realizar a notificação compulsória de casos suspeitos e encaminhar amostras biológicas para análise no Laboratório Central do Estado (Lacen).
Esquema vacinal e grupos prioritários no estado
A estratégia de vacinação no Rio Grande do Sul segue as diretrizes do Ministério da Saúde, com foco em populações que apresentam maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de formas graves da doença. Desde a implementação da campanha, 865 doses do imunizante já foram aplicadas em solo gaúcho. Atualmente, a imunização está dividida em duas modalidades:
Vacinação pré-exposição
Este grupo contempla pessoas vivendo com HIV/Aids, especificamente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais e que apresentem contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses. Também estão elegíveis profissionais de laboratório, entre 18 e 49 anos, que atuam diretamente com o Orthopoxvírus em ambientes de biossegurança nível 2.
Vacinação pós-exposição
A aplicação é destinada a indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com fluidos corporais de casos suspeitos ou confirmados, conforme avaliação da vigilância epidemiológica local. No caso confirmado recentemente em Porto Alegre, as pessoas que tiveram contato com o paciente já receberam a vacina como medida de bloqueio para interromper a cadeia de transmissão.













