Em meio à rotina acelerada e às exigências constantes do mundo moderno, o cuidado com a mente tornou-se uma prioridade frequentemente negligenciada. O hábito de priorizar a produtividade em detrimento do descanso tem gerado um aumento significativo nos casos de transtornos emocionais.
A psicóloga e professora universitária Simone Nunes concedeu uma entrevista à 102.9 Amorim FM, para abordar a relevância da preservação da saúde mental. Durante a conversa, a especialista detalhou como o estilo de vida contemporâneo influencia o comportamento humano e destacou a necessidade de identificar sinais de alerta antes que problemas simples evoluam para crises severas.
O conceito de saúde para além do físico
De acordo com a psicóloga, o conceito de saúde estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) não se restringe à ausência de doenças físicas, mas engloba o bem-estar completo, incluindo a parte psíquica. Ter saúde mental, segundo Simone, significa conseguir lidar de forma saudável com as adversidades inerentes à vida.
“Saúde mental não é evitar problemas, pois eles fazem parte da existência. É enfrentar as situações de uma forma que possamos resolvê-las com o mínimo de dor psíquica e sequelas possíveis”, explicou a professora.
Sinais de alerta e mudanças de comportamento
Um dos pontos cruciais da entrevista foi a identificação de quando a saúde mental está abalada. A especialista enfatizou que o autoconhecimento é a principal ferramenta de diagnóstico preventivo. Quando o indivíduo percebe alterações frequentes no humor, reações impulsivas ou explosões de raiva em contextos onde habitualmente manteria a calma, é sinal de que o equilíbrio emocional foi comprometido.
Sintomas físicos também servem como alerta, tais como:
Ansiedade constante;
Dores de cabeça frequentes;
Alterações no apetite (excesso ou falta de fome);
Distúrbios no sono e na rotina habitual.
A aceleração do mundo e o impacto digital
Simone Nunes destacou que a sociedade vive um ritmo que o organismo humano muitas vezes não consegue acompanhar. Desde a era industrial, o mundo acelerou, e o cérebro leva tempo para se adaptar a essas mudanças, o que potencializa quadros de ansiedade.
Nesse cenário, as redes sociais surgem como um fator complicador quando utilizadas em excesso. A psicóloga alertou para a “desconexão das relações reais”, citando o exemplo comum de grupos que, mesmo fisicamente juntos em restaurantes, permanecem isolados em seus dispositivos móveis. Para a juventude, que já nasceu conectada, o desafio é ainda maior, exigindo que o uso da tecnologia seja equilibrado com o convívio social direto.
Prevenção e hábitos saudáveis
Para fortalecer a mente, a recomendação é a adoção de hábitos que promovam o relaxamento e a liberação de hormônios do bem-estar. A especialista sugere a prática de atividades físicas ao menos três vezes por semana, além da busca por hobbies que não estejam ligados ao trabalho ou ao estudo, como pintura, leitura ou caminhadas ao ar livre.
A professora finalizou reforçando a importância de buscar auxílio psicológico precocemente. “É fundamental procurar ajuda antes da crise. Muitas vezes, a intervenção antecipada pode evitar a necessidade de tratamentos medicamentosos, permitindo que a pessoa retome seu ritmo de forma natural”, concluiu.













