O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, durante uma reunião a portas fechadas na Câmara Legislativa do Distrito Federal, que existe pressão externa pela privatização da instituição. Souza descartou a venda do banco e defendeu a aprovação imediata de um projeto de socorro enviado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB) para recompor o capital da estatal após prejuízos em operações com o Banco Master. Conforme informações publicadas pela Revista Oeste, a medida busca estabilizar as contas da instituição frente ao cenário econômico atual.
Medidas de socorro financeiro e recomposição de capital
O projeto de lei em discussão prevê um limite de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras instituições financeiras. Segundo o presidente do banco, o texto também autoriza a venda, cessão ou o uso de imóveis públicos como garantia para as operações. Como alternativa para reforçar o caixa, Nelson Antônio de Souza apresentou a criação de um fundo imobiliário composto por propriedades do governo.
Outra estratégia mencionada pelo executivo envolve a venda de subsidiárias e de carteiras de crédito específicas, como as de crédito consignado e financiamento de veículos. A expectativa com essas alienações é arrecadar cerca de R$ 1,1 bilhão. Souza informou ainda que os ativos remanescentes do Banco Master, avaliados em R$ 21,9 bilhões, ainda não foram comercializados.
Risco de intervenção regulatória
A urgência na aprovação das medidas é acentuada por uma nota técnica da associação de advogados do BRB, que alerta para o risco real de intervenção ou liquidação extrajudicial por parte do Banco Central caso o capital não seja recomposto tempestivamente. A instituição tem um prazo de até 180 dias para implementar as ações de saneamento apresentadas à autoridade monetária.
Posicionamento dos parlamentares
Apesar da defesa do presidente do banco, o projeto enfrenta resistência na Câmara Legislativa. Parlamentares da base e da oposição manifestaram preocupação com o teor da proposta, classificando-a como um “cheque em branco” para a gestão da instituição financeira pública. O debate segue em curso enquanto o banco busca cumprir o cronograma de exigências do Banco Central para garantir sua viabilidade operacional.













