O acirramento das tensões militares entre os Estados Unidos e o Irã, marcado por ataques ocorridos em 28 de fevereiro de 2026, provocou uma disparada imediata nas cotações internacionais do petróleo. Segundo reportagem da Revista Oeste, a escalada bélica na região gera incertezas no mercado global, elevando a pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e ameaçando o ritmo de queda da taxa de juros sinalizado pelo Banco Central. Analistas internacionais apontam que a intensidade do conflito e o possível fechamento do Estreito de Hormuz serão os principais balizadores para os preços nos próximos dias.
Impactos na política monetária e inflação
Especialistas consultados pelo Scotiabank ressaltam que o cenário atual apresenta efeitos macroeconômicos distintos para o Brasil. Se por um lado a valorização do barril amplia as receitas com exportação e fortalece o real, por outro, o aumento estrutural dos preços de energia possui caráter inflacionário.
De acordo com os analistas, “preços de energia estruturalmente mais altos são altamente inflacionários e quase certamente dificultariam o ciclo iminente de cortes de juros recentemente sinalizado pelo Banco Central”. Essa percepção é reforçada pela pressão crescente sobre as tarifas de combustíveis no mercado interno.
Abastecimento nacional e posição da Petrobras
Apesar da volatilidade financeira, o risco de falta de combustível no Brasil é considerado baixo. Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), afirmou que “o Brasil não depende do Oriente Médio para suprir o consumo interno” e reiterou que não vê risco para o suprimento.
A Petrobras, em nota oficial, informou que seus fluxos de importação ocorrem majoritariamente fora da zona de crise e que as rotas existentes podem ser redirecionadas se necessário. A companhia reforçou que “não há risco de interrupção das importações e exportações no momento”, embora analistas observem que a defasagem de preços internacional aumenta a pressão por reajustes nas refinarias.
Perspectivas para o preço do barril
A manutenção dos preços em patamares elevados dependerá da duração dos confrontos. Marcus D’elia, sócio da Leggio Consultoria, explicou à Revista Oeste que um conflito de até dez dias poderia manter o barril entre US$ 80 e US$ 100 de forma temporária.
D’elia pondera, contudo, que o preço pode ser contido pela oferta global. “Espera-se muita volatilidade nas cotações internacionais, mas o preço do barril deve ser contido pela sobra de óleo no mundo, resultado do crescimento baixo da demanda menor que o da oferta”, concluiu o especialista. No pregão da B3, as ações de petroleiras já sentiram o reflexo do cenário, registrando altas superiores a 4%.













