Santa Catarina alcançou a marca de 490.925 empresas lideradas por mulheres, conforme dados do Observatório do Sebrae/SC divulgados em 2026. O volume representa cerca de 35% do total de negócios no estado e reflete um crescimento estrutural impulsionado pela formalização e pela busca por autonomia financeira. De acordo com o levantamento, a expansão feminina no mercado empresarial catarinense é sustentada por índices de escolaridade superiores à média masculina e pelo suporte de políticas públicas estaduais voltadas ao fortalecimento do setor.
Entre os anos de 2020 e 2025, o número de Microempreendedoras Individuais (MEIs) no estado registrou um crescimento acumulado de 283%, o que equivale a uma média de 31% ao ano. Atualmente, o modelo MEI é a principal porta de entrada para o mercado, respondendo por 61,2% dos empreendimentos femininos em Santa Catarina, totalizando mais de 300 mil registros ativos.
O governador Jorginho Mello afirma que o aumento da participação feminina é um motor para a economia local. “O empreendedorismo feminino move Santa Catarina. Quando uma mulher empreende, ela não realiza apenas um sonho próprio, mas transforma sua comunidade, gera empregos e inspira outras. O Governo do Estado apoia essas mulheres, por isso fez iniciativas como o Pronampe Mulher, o Mulheres+Tec e Mulheres+Pesquisa”, destaca o chefe do Executivo.
Setores de atuação e perfil de mercado
A análise do Sebrae/SC aponta que o setor de serviços é o preferido pelas empreendedoras, concentrando 61% das empresas. Na sequência, aparecem o comércio (22,4%), a indústria (13,4%), a construção civil (2,9%) e o agronegócio (0,3%). As atividades mais frequentes incluem a gestão de lojas, salões de beleza, promoção de vendas, apoio administrativo e confecção de roupas.
Para o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck, a competência técnica é o diferencial desse crescimento. “A ascensão da mulher à frente dos negócios demonstra sua garra e competência. Elas estão inovando, investindo e transformando sonhos em realidade. Nosso papel é oferecer condições para que as catarinenses tenham cada vez mais oportunidades de empreender, conquistando sua autonomia financeira e gerando trabalho e renda para nosso estado”, afirma Dreveck.
O impacto desses negócios é visível em exemplos como o de Leslie Araújo, proprietária da Pão da Leli, em Florianópolis. O empreendimento, que começou na garagem de casa, expandiu-se e hoje conta com oito funcionários e sede própria. “Eu tinha uma hamburgueria no sul da Ilha, mas o sonho sempre foi ter um café. A ideia é servir aquilo que eu fazia em casa, para minhas visitas”, relata a empresária, que hoje produz itens de panificação e confeitaria próximos à UFSC. “Hoje algumas pessoas me pedem dicas de negócios. É muito bom poder inspirar outras pessoas”, completa.
Escolaridade e distribuição regional
Um dos pontos de maior destaque na pesquisa do Sebrae/SC é o nível de instrução das gestoras. O estudo revela que 42,5% das mulheres que lideram negócios no estado possuem ensino superior completo ou pós-graduação. O índice é significativamente maior que o registrado entre os homens empreendedores, que é de 26,9%. Além disso, elas apresentam maior taxa de formalização: 52,1% possuem CNPJ, frente a 50,6% dos homens.
Desempenho por regiões
A distribuição geográfica do empreendedorismo feminino mostra que a Grande Florianópolis possui a maior concentração de pequenos negócios liderados por mulheres, com 39,1%. Em seguida, destacam-se a Foz do Itajaí (38,7%), o Sul (38%) e o Vale do Itajaí (36%).
No ranking por municípios, a capital Florianópolis lidera em números absolutos com 52,9 mil empreendedoras. Joinville aparece em segundo lugar com 42,1 mil, seguida por Blumenau (25 mil), Itajaí (21 mil) e São José (20 mil).












