SaúdeRS amplia atendimento ginecológico no sistema prisional

RS amplia atendimento ginecológico no sistema prisional

Desde fevereiro, mulheres privadas de liberdade que cumprem pena na Penitenciária Modulada Estadual de Ijuí (PMEI), no Rio Grande do Sul, passaram a receber atendimento ginecológico periódico e especializado. A iniciativa do governo do Estado ocorre por meio da Unidade de Saúde Prisional, ligada à 3ª Delegacia Regional da Polícia Penal, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, com foco na prevenção e no acompanhamento da saúde feminina.

O serviço oferece exames preventivos, orientações sobre saúde sexual e reprodutiva e acompanhamento contínuo de demandas ginecológicas. As consultas são realizadas em um módulo estruturado para o cuidado das detentas e complementam o atendimento já prestado pela Unidade Básica de Saúde Prisional (UBSP), que reúne profissionais de enfermagem, farmácia, psiquiatria, psicologia, nutrição e odontologia. A estrutura atende cerca de 60 apenadas por mês.

A ampliação integra uma política estadual implantada a partir de 2025 para qualificar a assistência à saúde das mulheres no sistema prisional gaúcho. Segundo o secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, a meta é ampliar o atendimento especializado e garantir acesso regular a serviços de prevenção, diagnóstico e acompanhamento médico. A previsão é alcançar aproximadamente duas mil mulheres custodiadas no Estado até o fim do primeiro semestre de 2026, o que representa cerca de 6,3% da população carcerária feminina.

Outras ações de saúde feminina

Diversas unidades prisionais do Rio Grande do Sul também desenvolvem iniciativas voltadas ao cuidado com a saúde das detentas. No Instituto Penal Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, atividades realizadas em parceria com o Programa Primeira Infância Melhor oferecem orientações sobre infecções sexualmente transmissíveis, saúde bucal e cuidados materno-infantis para gestantes e mães com bebês na Unidade Materno Infantil.

Entre o segundo semestre de 2025 e o início deste ano, o Instituto Penal Feminino de Porto Alegre registrou 353 atendimentos clínicos, 254 acompanhamentos psicológicos e 47 procedimentos odontológicos, com encaminhamentos à rede pública de saúde. Outras unidades também promovem exames periódicos, testagens, palestras educativas, terapias ocupacionais e programas de apoio à saúde mental.

Além disso, campanhas educativas sobre prevenção e diagnóstico precoce, como Janeiro Branco, Agosto Lilás e Outubro Rosa, são divulgadas por meio do aplicativo SAC 24 para pessoas monitoradas eletronicamente.

Parcerias e ampliação da rede

A rede de assistência à saúde no sistema prisional gaúcho conta atualmente com cerca de 80% de cobertura da atenção básica, com 65 equipes atuando em estabelecimentos penais do Estado. O atendimento ocorre por meio das Unidades Básicas de Saúde Prisional, parcerias com universidades e encaminhamentos para a rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS).

Também são realizados mutirões de exames preventivos e testes rápidos em unidades como o Presídio Feminino de Torres e a Penitenciária de Santana do Livramento.

As ações fazem parte do Plano Estadual de Atenção às Mulheres Privadas de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional (2024–2027), desenvolvido em cooperação entre órgãos estaduais e federais. Dados do Observatório do Sistema Prisional indicam que 30% das mulheres presas no Estado têm entre 35 e 45 anos, faixa etária que exige maior atenção a exames preventivos e à saúde reprodutiva.

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