O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza nesta quarta-feira (18), em Brasília, a sua segunda reunião de 2026 para deliberar sobre a nova taxa básica de juros (Selic), motivado pela necessidade de equilibrar o controle inflacionário com a pressão da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. Segundo informações da Agência Brasil, analistas do setor financeiro acreditam que, apesar da alta recente no preço do petróleo, o colegiado deve anunciar no início da noite a primeira redução da taxa de juros em um período de dois anos.
A Selic encontra-se atualmente em 15% ao ano, o maior patamar registrado desde julho de 2006. Entre o segundo semestre de 2024 e meados de 2025, a taxa enfrentou um ciclo de sete elevações consecutivas, permanecendo inalterada nas últimas quatro reuniões. O encontro desta quarta-feira ocorre com o comitê desfalcado, uma vez que os mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti expiraram no fim do ano passado e as novas indicações do governo federal ainda aguardam encaminhamento ao Congresso Nacional.
Cenário internacional e projeções do mercado
Embora a ata da reunião de janeiro tenha confirmado a intenção de iniciar o corte dos juros em março, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã trouxe incertezas quanto à magnitude da redução. De acordo com a edição mais recente do boletim Focus, a expectativa do mercado financeiro é de que a taxa seja reduzida em 0,25 ponto percentual, fixando-se em 14,75% ao ano. Antes do agravamento das tensões no Oriente Médio, as instituições financeiras apostavam em um corte mais agressivo, de 0,5 ponto.
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle, servindo de referência para as demais taxas da economia brasileira. Ao reduzir os juros, a tendência é de que o crédito se torne mais acessível, incentivando a produção e o consumo, embora essa medida exija cautela para evitar o descontrole dos preços.
Comportamento da inflação e metas
O cenário inflacionário brasileiro demonstra sinais de volatilidade sob influência externa. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, acelerou para 0,7% em fevereiro devido aos gastos sazonais com educação, mas recuou para 3,81% no acumulado de 12 meses. Conforme apurado pela Agência Brasil, as estimativas de inflação para 2026 subiram de 3,8% para 4,1% no último boletim Focus, refletindo os impactos potenciais do conflito internacional.
Sistema de meta contínua
Sob o novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, o Banco Central deve perseguir uma meta de inflação de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, o limite superior aceitável é de 4,5%. Diferente do modelo anterior, a verificação da meta agora é feita mensalmente com base na inflação acumulada de 12 meses, permitindo que a autoridade monetária ajuste sua política ao longo de todo o ano.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central previa que o IPCA terminaria 2026 em 3,5%. No entanto, diante do novo panorama geopolítico, espera-se que essa projeção seja revisada na próxima edição do documento, prevista para o fim de março.












