Muitas vezes, a força para enfrentar os desafios mais severos da vida não vem apenas da vontade própria, mas de uma estrutura sólida de crença e solidariedade. Na noite desta quarta-feira (18), o relato da missionária e psicoterapeuta Silvia Flôres serviu como um lembrete de que a resiliência humana, quando aliada à espiritualidade, pode transformar tragédias em missões de vida.
Durante sua participação no Podcast 102.9 FM, Silvia Flôres detalhou sua jornada de décadas dedicada ao ministério e ao auxílio ao próximo. A entrevista, conduzida em um tom de profunda reflexão, abordou desde suas raízes familiares no Rio Grande do Sul até as experiências mais recentes em frentes de auxílio humanitário e sua batalha pessoal contra graves problemas de saúde.
Raízes e o chamado para o ministério
Natural de Caxias do Sul e filha de pioneiros da Igreja Batista na região, Silvia cresceu em um ambiente onde o serviço comunitário era a regra, não a exceção. Ela recordou com saudosismo o exemplo dos pais, que não apenas fundaram templos, mas agiam diretamente no auxílio a desabrigados após desastres naturais na década de 70.
Essa base familiar pavimentou o caminho para que, em 2005, ela iniciasse formalmente sua caminhada missionária. “Eu entendi que eu queria a assistência social e a missão para a minha vida”, afirmou Silvia Flôres, relembrando o início de seu trabalho em Canoas (RS), onde atuou no suporte a mulheres em situação de risco e vítimas de violência.
A batalha contra o câncer e o milagre da cura
Um dos momentos mais tocantes da entrevista foi o relato sobre sua luta contra a leucemia, diagnosticada logo após o nascimento de sua segunda filha, Bruna. Pesando menos de 40 quilos e dependente de constantes transfusões de sangue, Silvia enfrentou sete anos de tratamentos intensos e incertezas médicas.
A missionária descreve sua recuperação como um evento de intervenção divina ocorrido durante um culto religioso. “A fé é aquilo onde você coloca o pé e Deus coloca o chão”, explicou Silvia Flôres ao descrever o momento em que sentiu a restauração de sua saúde. Anos mais tarde, ela enfrentaria e venceria também um câncer no útero, reforçando sua convicção na espiritualidade como pilar de sustentação.
Missão humanitária e o papel social da igreja
Além do testemunho pessoal, Silvia Flôres destacou a importância da atuação social das instituições religiosas. Em 2024, ela esteve na linha de frente do auxílio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, coordenando a entrega de donativos e prestando apoio emocional a famílias que perderam tudo.
Para a missionária, o trabalho da igreja deve ir além das quatro paredes do templo. Atualmente, como pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular e psicanalista formada, ela busca unir o suporte espiritual ao acolhimento técnico. “Se Deus fizer, Ele é Deus. Se não fizer, Ele vai continuar sendo Deus”, concluiu, enfatizando que a aceitação e a fé inabalável são as chaves para enfrentar qualquer adversidade.












