PolíticaAraranguá discute estratégias de combate ao feminicídio

Araranguá discute estratégias de combate ao feminicídio

A delegada de Polícia Civil Eliane Chaves, titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), apresentou dados alarmantes sobre a violência de gênero durante a 16ª sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Araranguá, realizada nesta segunda-feira (13). A explanação, solicitada pelo vereador Jorge Ghiraldo por meio do Requerimento nº 036/2026, teve como objetivo alertar as autoridades e a sociedade civil sobre o aumento superior a 30% nos casos de feminicídio em Santa Catarina no início de 2026, reforçando a necessidade de políticas públicas preventivas e ações coordenadas de segurança.

Estatísticas indicam alta na violência de gênero

De acordo com as informações fornecidas pela delegada ao Legislativo municipal, o estado catarinense encerrou o ano anterior com 53 feminicídios registrados. Contudo, o cenário atual apresenta um agravamento, com um crescimento de 30% nos primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2025. No âmbito federal, os indicadores apontam que quatro mulheres são assassinadas por hora no Brasil, somando 1.568 vítimas no último ano, além de aproximadamente 4.700 tentativas de homicídio motivadas pelo gênero.

Ao comentar a gravidade dos índices, Eliane Chaves pontuou que os episódios raramente são isolados ou imprevisíveis. “Não são apenas números, são vidas interrompidas, muitas vezes em contextos previsíveis e evitáveis”, afirmou a autoridade policial, ressaltando que o monitoramento constante é essencial para a redução da letalidade.

Padrões de comportamento e o ambiente doméstico

A análise dos inquéritos conduzidos pela Polícia Civil revela um padrão recorrente nos crimes de feminicídio. Conforme o relatório apresentado na Câmara, o controle excessivo, o ciúme e o inconformismo com o término de relacionamentos são os principais fatores motivadores. A maioria das agressões e mortes ocorre dentro da residência das vítimas, tendo como autores atuais ou antigos companheiros.

A prevenção foi elencada como o pilar fundamental para reverter as estatísticas. A delegada enfatizou que o feminicídio é o estágio final de um ciclo de violência que se inicia com abusos psicológicos e morais. “Não queremos contar mortes, queremos evitá-las”, reforçou a delegada, incentivando a identificação precoce dos sinais de perigo e a denúncia imediata por parte de vítimas e testemunhas.

Impacto regional e fortalecimento de políticas públicas

No recorte regional, os dados indicam que a comarca de Araranguá contabilizou 18 feminicídios desde que a qualificadora foi inserida no Código Penal, além de um volume expressivo de tentativas que não se concretizaram. O enfrentamento do problema, segundo a palestrante, depende da união entre o poder público e a população para o fortalecimento da rede de proteção.

O vereador Jorge Ghiraldo, autor do requerimento e também delegado de polícia, corroborou a análise técnica e defendeu a ampliação de investimentos nas forças de segurança. Ghiraldo destacou que fatores culturais e o consumo de substâncias como álcool e drogas frequentemente potencializam a violência doméstica. Para o parlamentar, é urgente que o município estruture ações preventivas e ofereça suporte adequado para que as mulheres possam romper o ciclo de violência com segurança e amparo institucional.

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