GeralViolência escolar desafia gestores em escolas públicas

Violência escolar desafia gestores em escolas públicas

Sete em cada dez gestores de escolas públicas relatam dificuldades para dialogar sobre o enfrentamento à violência no ambiente escolar, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (6) pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC). O levantamento ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas em dez estados brasileiros entre março e julho de 2025, com o objetivo de subsidiar a criação de um guia nacional sobre clima escolar positivo.

De acordo com o estudo, 71,7% dos gestores apontam desafios ao tratar temas como bullying, racismo e capacitismo dentro das instituições de ensino. A pesquisa também identificou outros entraves, como a dificuldade de aproximação entre escola, famílias e comunidade (67,9%), problemas nas relações entre estudantes (64,1%) e obstáculos na construção do sentimento de pertencimento dos alunos (60,3%).

Coordenador do estudo, o pesquisador Adriano Moro destaca que lidar com a violência nas escolas é uma tarefa complexa, que exige preparo e planejamento. Segundo ele, a naturalização de comportamentos agressivos ainda é um problema recorrente. Em alguns casos, situações de violência são interpretadas como brincadeiras, o que pode levar à omissão por parte de adultos no ambiente escolar.

Outro ponto levantado é o uso genérico do termo bullying, que pode mascarar diferentes formas de violência, como racismo, xenofobia ou discriminação de gênero. Para o pesquisador, nomear corretamente essas situações é essencial para que sejam enfrentadas de forma adequada.

Segundo a Agência Brasil, o estudo também revela que mais da metade das escolas (54,8%) nunca realizou um diagnóstico estruturado do clima escolar, considerado fundamental para orientar políticas de convivência. Apesar disso, 67,6% das unidades possuem equipes responsáveis por ações de melhoria do ambiente escolar, enquanto nas demais essa responsabilidade recai diretamente sobre a gestão.

A pesquisa reforça ainda a relação direta entre um clima escolar positivo e o desempenho dos estudantes. Ambientes marcados por respeito, confiança e escuta favorecem o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos, além de contribuir para a prevenção de conflitos.

Os dados foram divulgados na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho para propor políticas de combate ao bullying e ao preconceito nas escolas. O grupo terá prazo inicial de 120 dias para apresentar um relatório com recomendações.

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