SaúdeGeração 50+ deve concentrar gastos com saúde em 2044

Geração 50+ deve concentrar gastos com saúde em 2044

A geração 50+ deve responder por metade do consumo das famílias brasileiras com produtos e serviços de saúde em 2044, no Brasil, segundo estudo da data8 divulgado pela Agência Brasil, em razão do envelhecimento da população e do aumento da demanda por cuidados, medicamentos, planos de saúde e outros serviços do setor. A projeção indica que esse público movimentará R$ 559 bilhões de um total estimado em R$ 1,1 trilhão.

Gastos devem crescer com o envelhecimento

O levantamento Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções aponta avanço na participação desse grupo no consumo em saúde. Em 2024, pessoas com 50 anos ou mais respondiam por 35% dos gastos com medicamentos, planos de saúde, suplementos e outros itens. Para 2044, a expectativa é que essa fatia chegue a 50%.

Uma das coordenadoras da pesquisa, Lívia Hollerbach, afirmou à Agência Brasil que o aumento dos gastos com saúde ao longo do envelhecimento é esperado, mas que a velocidade da mudança preocupa.

“Nos surpreendeu essa projeção de que muito rapidamente, em menos de 20 anos, essa população já vai ser responsável por movimentar metade do consumo no país em todo o setor de saúde”, disse.

Peso no orçamento

O estudo mostra que, em 2024, o Brasil tinha 59 milhões de pessoas com 50 anos ou mais, o equivalente a 27% da população, mas esse grupo já representava 35% do consumo em saúde. Em 2044, a projeção é de 92 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que corresponderá a 40% da população e 50% dos gastos no setor.

“A saúde realmente vai tomar parte grande do bolso do brasileiro”, afirmou Lívia Hollerbach.

De acordo com o levantamento, planos de saúde, medicamentos e suplementos concentram 79% da cesta mensal de consumo de saúde das pessoas acima de 50 anos. Entre os brasileiros com menos de 50 anos, 8% da renda são destinados a produtos e serviços de saúde. Na geração prateada, o percentual chega a 14%.

Impacto aumenta nas faixas mais velhas

A pesquisa também detalha o peso da saúde por faixa etária. Entre pessoas de 50 a 54 anos, 11% do consumo mensal é direcionado ao setor. Na faixa de 70 a 74 anos, o percentual sobe para 18%. Entre pessoas com 80 anos ou mais, chega a 21%.

Além de planos, medicamentos e suplementos, os gastos incluem consultas médicas, exames, materiais de tratamento e outros serviços relacionados à saúde.

Estrutura de atendimento preocupa

Lívia Hollerbach destacou que o país precisa se preparar para o envelhecimento populacional, tanto no setor público quanto no privado.

“A população brasileira apresenta uma demanda por cuidado e atenção à saúde que, em territórios mais vulneráveis, supera a capacidade de resposta disponível, seja pelo Poder Público, seja pela iniciativa privada”, disse.

Segundo a coordenadora, o “congestionamento recorrente” dos serviços públicos e privados indica que a estrutura atual já opera sob pressão. A tendência, conforme o estudo, é que a demanda continue crescendo nas próximas décadas.

Prevenção é apontada como caminho

Entre as alternativas para enfrentar os desafios, Lívia citou a necessidade de desenvolver uma cadeia de cuidados de longa duração.

“É uma das maiores prioridades quando olhamos para a transição demográfica”, afirmou.

A especialista também defendeu o fortalecimento da medicina preventiva e de iniciativas voltadas à qualidade de vida. Segundo ela, há avanços em alguns hábitos da população, como a redução do tabagismo e do consumo de álcool, mas ainda é preciso ampliar ações estruturadas.

“Isso só vai acontecer quando a gente tiver não só conscientização, mas realmente programas, produtos e serviços focados para uma saúde preventiva”, concluiu.

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