EconomiaGasolina fica mais barata em maio, entenda

Gasolina fica mais barata em maio, entenda

O preço da gasolina recuou 1,46% em maio no Brasil, impulsionado pela maior disponibilidade de etanol no mercado e pela política de subvenção aos combustíveis adotada pelo governo. A redução ajudou a conter a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12).

A queda da gasolina foi registrada nos postos de combustíveis em todo o país durante o mês de maio, período em que o IPCA apresentou alta de 0,58%. O combustível foi o item que mais contribuiu para reduzir o índice, com impacto negativo de 0,08 ponto percentual.

O recuo ocorreu após dois meses consecutivos de aumento nos preços, influenciados pela instabilidade internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio, que afetou a cadeia de petróleo e elevou os custos de derivados como gasolina e diesel.

Segundo o analista do IBGE Fernando Gonçalves, o etanol também teve papel importante na redução dos preços. O biocombustível ficou 6,2% mais barato em maio devido à maior oferta no mercado, resultado da decisão de produtores de direcionarem parte da safra de cana para a fabricação de etanol.

Com o etanol mais competitivo, a concorrência entre os combustíveis pressionou a gasolina para baixo, especialmente porque grande parte da frota brasileira é composta por veículos flex, que permitem ao consumidor escolher entre gasolina e etanol.

Subvenção ajudou a reduzir impacto de reajustes

De acordo com a Agência Brasil, além da concorrência com o etanol, a política de subvenção aos combustíveis contribuiu para a queda da gasolina. O programa funciona como uma compensação financeira do governo a produtores e importadores, com o objetivo de evitar que aumentos internacionais do petróleo sejam totalmente repassados aos consumidores.

Atualmente, a subvenção representa R$ 0,44 por litro e busca compensar parte dos tributos federais sobre os combustíveis, como PIS, Cofins e Cide. A medida também reduziu o impacto de um reajuste anunciado pela Petrobras, que elevou o preço da gasolina em R$ 0,48, mas resultou em aumento de apenas R$ 0,04 ao consumidor final.

O diesel também apresentou queda em maio, com redução de 2,34%. O combustível, utilizado principalmente por caminhões e ônibus, recebeu subvenção de R$ 1,52 por litro para importadores e R$ 1,12 por litro para produtores no período.

Combustíveis ajudam a reduzir inflação, mas frete ainda pesa

O grupo de transportes foi o único entre os nove segmentos analisados pelo IBGE a registrar deflação em maio, com queda média de 0,46%. Apesar disso, os custos de frete ainda influenciaram o preço dos alimentos, que subiram 1,33% e tiveram o maior impacto positivo no IPCA do mês.

De acordo com o IBGE, a redução nos combustíveis ainda não foi suficiente para eliminar completamente os efeitos dos aumentos anteriores provocados pela crise internacional do petróleo.

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou instabilidade no mercado global de energia, afetando rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde circulava uma parcela significativa da produção mundial de petróleo e gás natural antes da guerra.

Como o petróleo é uma commodity negociada internacionalmente, a alta dos preços externos também atingiu o Brasil. No caso do diesel, o impacto é maior porque o país ainda depende de importações para atender parte do consumo interno.

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