A Unesc entregou, nesta quarta-feira (24), em Araranguá, os relatórios de governança do Plano de Desenvolvimento Socioeconômico dos 15 municípios da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc). A iniciativa, realizada em parceria com a Amesc e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), encerra a segunda e última fase do projeto iniciado em 2022, com o objetivo de orientar o planejamento público e fortalecer o desenvolvimento sustentável da região.
Relatórios orientam planejamento municipal
O encontro foi realizado na Unesc Araranguá e reuniu prefeitos, vice-prefeitos, secretários municipais, representantes de entidades e instituições parceiras. Durante a programação, foram entregues oficialmente os documentos elaborados de forma colaborativa entre a Universidade, gestores públicos e lideranças regionais.
A etapa final do projeto concentrou-se na estruturação e implementação da governança dos planos em âmbito municipal. Os relatórios apresentam cronogramas, mecanismos de acompanhamento e diretrizes para execução de ações estratégicas nos próximos anos.
Conforme a Unesc, o material consolida diagnósticos, prioridades e orientações voltadas ao desenvolvimento dos municípios. Além dos 15 relatórios individuais, o projeto também contempla um plano regional integrado para o fortalecimento conjunto do Extremo Sul catarinense.
Universidade destaca construção coletiva
Durante o encontro, a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, afirmou que a região possui posição estratégica, entre a serra e o mar, e é cortada pela BR-101, importante eixo logístico para Santa Catarina.
Segundo Gisele, a Universidade já identificava desde 2019 o potencial da Amesc por meio de estudos socioeconômicos realizados no território. “Costumo dizer que a Amesc é como uma pedra preciosa que precisava ser lapidada. E oportunidades não surgem ao acaso; elas precisam ser construídas coletivamente”, afirmou.
A reitora em exercício também ressaltou que o processo envolveu a escuta da população e a participação direta dos municípios. “Desenvolvemos um processo de diagnóstico das potencialidades e dos desafios da região, ouvindo a população, visitando os 15 municípios e promovendo um grande movimento de participação social. A sociedade civil organizada, o poder público, lideranças e a comunidade participaram desse processo. Conseguimos, assim, extrair os sonhos e as aspirações de cada município e do território como um todo”, disse.
Gisele reforçou que a proposta não se limitou à elaboração dos documentos, mas buscou criar condições para que as ações sejam executadas. “Desde o início, assumimos o compromisso de não apenas elaborar um plano, mas de criar as condições necessárias para que ele fosse executado. E governança não se faz apenas com documentos. Governança exige engajamento permanente das forças vivas da sociedade, compromisso coletivo e disposição para transformar projetos em realidade. Porque este território possui inúmeras oportunidades, e cabe a nós transformá-las em desenvolvimento e qualidade de vida para as próximas gerações”, concluiu.
Planejamento tem foco nos próximos anos
A gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc e responsável pelo Centro de Inovação Criciúma (CRIO), Elenice Padoin Juliani Engel, destacou que o papel da Universidade vai além da produção acadêmica.
“O plano provocou uma reflexão sobre como pensar os municípios para os próximos dez anos. Agora é o momento de torná-lo executivo”, afirmou.
O coordenador do projeto, professor Ricardo Pieri, explicou que o trabalho foi desenvolvido a partir de dois pilares: o diagnóstico técnico dos municípios e a estruturação da governança para execução das ações.
De acordo com Pieri, o turismo aparece como um dos principais vetores de desenvolvimento na maioria dos municípios da Amesc, respeitando as diferentes vocações locais, como litoral, agronegócio e novas rotas turísticas.
“Todos os municípios se reconheceram na visão de futuro construída. A Unesc coordenou o processo, mas quem definiu os caminhos foi a própria população”, afirmou.
Lideranças avaliam impacto regional
O diretor executivo da Amesc, Francisco Dielo, afirmou que os relatórios oferecem um direcionamento estratégico para a gestão pública. Segundo ele, os documentos permitem uma leitura mais aprofundada da realidade regional e contribuem para decisões mais assertivas.
“A região tem apresentado crescimento contínuo e esses planos são essenciais para orientar políticas públicas”, disse.
O presidente da Amesc e prefeito de São João do Sul, Alex Sandro Pereira Bianchini, também destacou a importância do trabalho integrado entre Universidade, municípios e entidades regionais.
O prefeito de Santa Rosa do Sul, Almides Roberg Silva da Rosa, ressaltou a participação popular na construção do plano e afirmou que o documento funciona como uma “bússola” para o futuro do município.
O prefeito de Passo de Torres, Valmir Augusto Rodrigues, destacou o caráter participativo do processo e avaliou que o planejamento poderá contribuir para avanços em áreas como turismo, saúde e mobilidade.
A vice-prefeita de Morro Grande, Tatiane Fenali, reforçou a importância da construção coletiva e afirmou que os resultados do planejamento deverão ser percebidos nos próximos anos.
O prefeito de Jacinto Machado, Sander Just, destacou o fortalecimento das parcerias institucionais e afirmou que o desenvolvimento regional depende da atuação integrada entre os municípios.
O vice-prefeito de Balneário Gaivota, Jonatã Coelho dos Santos, ressaltou a parceria com a Unesc e afirmou que o futuro do território deve ser construído a partir de decisões tomadas no presente.
O presidente da Associação Empresarial do Vale do Araranguá (Aciva), Jadiel Boza Della Vechia, também reforçou a importância da Universidade para o desenvolvimento do Extremo Sul catarinense e destacou o compromisso da entidade com o crescimento regional.
Projeto prevê continuidade das ações
O levantamento e a análise dos dados foram realizados pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, responsável pela sistematização de indicadores e pelo apoio técnico aos municípios.
Durante a programação, também foram apresentadas iniciativas estratégicas relacionadas ao desenvolvimento regional, entre elas o programa Integratur e o Escritório de Projetos. As ações demonstram, segundo a Universidade, a atuação integrada da instituição no suporte técnico e institucional aos municípios da Amesc.
Com a entrega dos relatórios, os municípios passam a contar com instrumentos de planejamento voltados à tomada de decisões, acompanhamento de metas e execução de projetos de desenvolvimento regional.












