O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (26), a um projeto-piloto para testar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será desenvolvida no Rio Grande do Sul, com pacientes acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, e busca avaliar a eficácia clínica, os custos e o impacto da medicação antes de uma possível ampliação da estratégia na rede pública.
A pesquisa envolverá 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças, como problemas cardíacos, que também possuam indicação para cirurgia bariátrica. O medicamento utilizado tem como princípio ativo a semaglutida, pertencente à classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.
Segundo o Ministério da Saúde, o perfil dos participantes reflete a realidade atendida pelo Grupo Hospitalar Conceição. Cerca de 91% dos pacientes acompanhados apresentam obesidade mórbida, enquanto menos da metade reúne condições clínicas para realizar cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial é a comorbidade mais frequente entre esse grupo.
Durante os dois anos previstos para o estudo, serão analisados indicadores como perda de peso, qualidade de vida, resultados de exames clínicos, evolução no período pós-operatório e os custos relacionados ao tratamento. O objetivo é verificar se a utilização da semaglutida pode ser incorporada de forma eficiente à realidade do SUS.
De acordo com a Agência Brasil, o financiamento da pesquisa será realizado por meio de recursos destinados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), provenientes de aporte financeiro da empresa fabricante do medicamento.
Critérios para participar
Os pacientes selecionados já devem estar em acompanhamento no Grupo Hospitalar Conceição, ter diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano e apresentar histórico de insucesso no tratamento convencional, incluindo dieta estruturada e prática regular de atividade física por, no mínimo, dois meses.
Também será necessário que o paciente consiga realizar a autoaplicação da medicação ou conte com o auxílio de um cuidador responsável pelo procedimento.
Incorporação ao SUS segue em análise
Embora o projeto represente um avanço nas pesquisas, a semaglutida ainda não integra a lista de medicamentos oferecidos pelo SUS. Em agosto do ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou que a pasta não incorporasse a semaglutida e a liraglutida ao sistema público.
De acordo com o Ministério da Saúde, o principal entrave continua sendo o custo elevado. A estimativa é que a disponibilização anual desses medicamentos na rede pública gere um impacto financeiro de aproximadamente R$ 8 bilhões.












