GeralMortes de golfinhos raros intrigam biólogos no Sul

Mortes de golfinhos raros intrigam biólogos no Sul

Oito exemplares de golfinho-de-Fraser foram encontrados mortos entre o litoral norte do Rio Grande do Sul e Passo de Torres, em Santa Catarina, ao longo dos últimos dez dias. Os registros ocorreram entre 24 e 31 de julho, e equipes de pesquisadores realizam análises para identificar o que provocou a morte dos animais, pertencentes a uma espécie considerada extremamente rara em áreas costeiras.

Os primeiros encalhes foram registrados em 24 de julho, nas praias de Balneário Quintão, em Palmares do Sul, e de Cidreira. Três dias depois, outro animal apareceu em Quintão. Já na última sexta-feira (31), um novo caso foi registrado na praia de Rondinha, em Arroio do Sal.

Durante os atendimentos, especialistas realizaram necropsias, coletaram amostras biológicas e encaminharam os esqueletos para o acervo científico do Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Mucin), onde servirão para estudos.

Na quinta-feira (30), outros quatro golfinhos da mesma espécie foram encontrados mortos em Passo de Torres, na divisa com Torres (RS). A ocorrência foi atendida pela Educamar, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BP). Entre os animais havia três fêmeas — duas delas gestantes — e um macho. Também foram coletados dentes para estimar a idade dos indivíduos.

Segundo a Educamar, embora tenham sido recolhidas amostras para exames complementares, o estado de decomposição pode dificultar a confirmação da causa das mortes. Ainda assim, os resultados serão comparados com registros semelhantes ocorridos recentemente no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Uruguai.

A coordenadora do PMP-BP na Educamar, Suelen Santos, destaca que o aparecimento dessa espécie na faixa costeira é considerado excepcional. Conforme a pesquisadora, o golfinho-de-Fraser vive em águas oceânicas profundas, tornando esse tipo de encalhe um evento extremamente incomum.

As primeiras análises realizadas nos animais encontrados em Passo de Torres indicam que eles apresentavam sinais de debilidade. Entre as hipóteses avaliadas pelos pesquisadores está a infecção por morbilivírus, doença que afeta cetáceos e compromete os sistemas respiratório e nervoso.

A bióloga Cariane Campos Trigo, do Mucin, lembra que episódios de mortalidade em massa também já foram associados a períodos de El Niño intenso. Ela ressalta que encalhes de cetáceos são frequentes no litoral sul, especialmente da toninha, espécie ameaçada pela captura acidental em redes de pesca, e cita que uma baleia-franca também encalhou recentemente na região.

Os especialistas orientam que pessoas que encontrarem animais marinhos encalhados não tentem tocá-los ou removê-los, pois há risco de transmissão de doenças e de prejuízo às investigações científicas. A recomendação é comunicar imediatamente as equipes responsáveis pelo monitoramento.

No Rio Grande do Sul, entre Torres e o Farol Berta, em Palmares do Sul, os casos podem ser informados ao PMP-BP pelo telefone (51) 3308-1263. Já entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, incluindo Passo de Torres, o contato com a Educamar pode ser feito pelo telefone 0800 641 5665.

Relacionados

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Últimas Notícias