Especialistas defenderam investimentos integrados em rodovias, ferrovias e portos durante painel da Logistique 2026, realizado nesta terça-feira (11), em Balneário Camboriú. O debate abordou medidas para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional.
Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o painel “O Brasil Produz Bem. Por que Ainda Entrega Caro?” reuniu representantes do setor produtivo e da cadeia logística para discutir entraves de infraestrutura, burocracia e falta de integração entre os modais de transporte.
Planejamento integrado para a infraestrutura
O presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da FIESC, Maurício Battistella, afirmou que os investimentos precisam considerar a ligação entre rodovias, ferrovias e portos.
“Precisamos olhar isso como um planejamento global, com uma discussão de longo prazo”, afirmou.
Battistella ressaltou que a ampliação da capacidade portuária deve ser acompanhada de estruturas que garantam a chegada e a saída das cargas dos terminais.
“Não adianta ampliar a capacidade portuária sem garantir que a carga tenha como chegar e sair dos terminais. Os projetos precisam conversar entre si”, destacou. “As soluções de infraestrutura demoram. Se não tivermos uma visão de longo prazo, elas não acontecem.”
Para o representante da FIESC, o fortalecimento das concessões é uma das medidas necessárias para ampliar os investimentos, principalmente no transporte rodoviário.
Digitalização e previsibilidade
O representante da General Motors, Fernando Zamperlini, defendeu mais previsibilidade para estimular investimentos privados em infraestrutura e em toda a cadeia logística. Ele apontou a modernização de processos, a digitalização e a integração entre órgãos envolvidos no comércio exterior como fatores para melhorar a competitividade.
“Se os setores estiverem integrados e a digitalização for potencializada, podemos ter mais previsibilidade e eficiência”, afirmou.
Compartilhamento de ativos
O diretor da Movecta, Gustavo Paschoa, defendeu uma visão de ecossistema logístico, com compartilhamento de ativos, informações e inteligência entre empresas e operadores.
“Precisamos ter um olhar para o ecossistema. O compartilhamento de ativos e de inteligência pode melhorar o fluxo e atender melhor os clientes”, afirmou.
Paschoa também destacou a necessidade de transformar os instrumentos de planejamento em políticas de Estado. “Precisamos parar de pensar apenas em planos de governo e construir planos de Estado, priorizando o que é urgente e o que é importante”, defendeu.
O executivo da ONE Brasil, Eduardo Carreira, citou oportunidades para ampliar a conectividade marítima entre diferentes regiões do país, incluindo o Nordeste. Já André Duran, da Tupy, chamou atenção para os entraves burocráticos que elevam o tempo de permanência das cargas nos portos.
“Precisamos trabalhar em conjunto e deixar de atuar de forma isolada”, acrescentou Duran.
Prioridades para a logística
Conforme a FIESC, os participantes apontaram como prioridades a continuidade das concessões, investimentos em rodovias e ferrovias, expansão da capacidade portuária, digitalização do comércio exterior, integração entre órgãos públicos e empresas e qualificação de mão de obra.












