A inflação oficial brasileira caiu 0,32% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi influenciado principalmente pelo desconto do Bônus de Itaipu na conta de energia elétrica, além da redução nos preços dos alimentos e dos transportes.
Com a queda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,22% nos 12 meses encerrados em agosto, abaixo dos 4,44% registrados até julho. Trata-se da menor taxa mensal para agosto desde 2022, quando o índice havia recuado 0,36%.
De acordo com a Agência Brasil, o resultado também ficou abaixo da previsão do mercado financeiro, que estimava deflação de 0,23% para o mês. Para o encerramento de 2026, a expectativa apontada pelo Boletim Focus é de inflação de 5%.
Conta de luz tem maior impacto
Entre os nove grupos analisados pelo IBGE, quatro registraram queda de preços. O destaque foi Habitação, que apresentou retração de 1,87% e impacto negativo de 0,29 ponto percentual no IPCA.
A principal razão foi o Bônus de Itaipu, crédito concedido aos consumidores a partir do saldo positivo da conta de comercialização da usina hidrelétrica. Com o benefício, as tarifas de energia elétrica residencial diminuíram, em média, 7,63% em agosto.
Segundo o IBGE, a queda da energia foi a maior responsável pelo resultado negativo do IPCA e representou a menor variação registrada para um mês de agosto desde o início do Plano Real.
Como o desconto é aplicado somente em agosto, a tendência é que as tarifas voltem a subir em setembro, conforme explicou o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves.
Alimentos registram terceira queda seguida
O grupo Alimentação e bebidas teve redução de 0,34%, contribuindo negativamente para o índice. Foi a terceira queda consecutiva: em julho, o recuo havia sido de 0,67%, enquanto em junho ficou em 0,24%.
Entre os produtos que mais ficaram baratos estão a batata-inglesa, com queda de 19,89%; a cenoura, -11,22%; a cebola, -11,07%; o tomate, -10,94%; o ovo de galinha, -4,15%; e o café moído, -1,86%.
Os alimentos representam 21,5% da cesta de consumo utilizada no cálculo do IPCA e possuem o maior peso entre os grupos pesquisados.
Passagens aéreas também ajudam na queda
No setor de transportes, a retração foi de 0,86%. O principal destaque foram as passagens aéreas, que ficaram 13,17% mais baratas e tiveram impacto negativo de 0,11 ponto percentual no índice.
Também houve redução nos preços dos combustíveis: etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). Já o gás veicular registrou alta de 2,62%.
As tarifas de transporte por aplicativo diminuíram 4,57%. O cálculo considera ainda parte de uma variação referente a julho que, segundo o IBGE, não havia sido incorporada naquele mês.
Quatro grupos tiveram deflação
Além de Habitação, Alimentação e bebidas e Transportes, o grupo Comunicação apresentou queda de 0,09%.
Os demais segmentos registraram altas: Artigos de residência (0,64%), Vestuário (0,12%), Saúde e cuidados pessoais (0,23%), Despesas pessoais (1,30%) e Educação (0,47%).
O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços que tiveram aumento de preços, passou de 50% em julho para 54% em agosto. Isso significa que 54% dos 377 itens pesquisados apresentaram alta.
Meta de inflação
A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite superior é de 4,5%.
Desde 2025, o cumprimento da meta é avaliado considerando os 12 meses anteriores, e não apenas o resultado acumulado no ano. A meta é considerada descumprida caso a inflação permaneça acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.
O IPCA considera os gastos de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa acompanha preços de 377 produtos e serviços em regiões metropolitanas e capitais de diferentes estados brasileiros.












