EconomiaSelic cai para 13,75% ao ano

Selic cai para 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, por unanimidade, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, nesta semana. A decisão representa o quinto corte consecutivo dos juros básicos da economia e ocorre em meio à desaceleração recente da inflação, mas também diante de incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e pelo início do fenômeno El Niño.

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro. Segundo o Banco Central, o cenário internacional permanece instável, principalmente devido às indefinições relacionadas aos conflitos armados no Oriente Médio e às perspectivas para a política monetária de economias avançadas.

Inflação segue no radar

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em agosto, o IPCA registrou queda de 0,32%, o menor resultado em quatro anos. No acumulado de 12 meses, a inflação passou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto. Os alimentos também contribuíram para o resultado, com redução média de 0,34% no mês.

Segundo a Agência Brasil, apesar da melhora recente, o Banco Central avalia que o cenário ainda exige cautela. O fenômeno El Niño pode provocar impactos sobre a produção agrícola e contribuir para uma elevação dos preços dos alimentos nos próximos meses.

Desde janeiro de 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior é de 4,5%.

No Relatório de Política Monetária divulgado em junho, o Banco Central havia elevado de 3,9% para 5,2% sua projeção para o IPCA em 2026. A previsão deverá ser atualizada na próxima edição do documento, prevista para o fim deste mês.

Já o mercado financeiro estima inflação de 4,9% para o ano, segundo o boletim Focus. A projeção permanece acima do teto de 4,5% da meta. Antes do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, a estimativa era de 3,95%.

Juros menores e atividade econômica

A redução da Selic tende a diminuir o custo do crédito e pode estimular o consumo e os investimentos. Ao mesmo tempo, juros menores reduzem um dos mecanismos utilizados pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias.

O Banco Central projeta crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026. O mercado financeiro, por sua vez, estima uma expansão de 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme a edição mais recente do boletim Focus.

A Selic também serve como referência para diversas taxas de juros praticadas na economia. Quando a taxa sobe, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros, enquanto a poupança e outras aplicações financeiras podem se tornar mais atrativas. Com a redução, ocorre o movimento contrário.

Copom está com composição incompleta

A reunião que decidiu pelo novo corte ocorreu com o Copom desfalcado. Os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025.

Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para os substitutos dos dois diretores.

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