A Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e o movimento Mulheres que Fazem Floripa realizam, nesta segunda-feira (30), o evento “Entre Telas e Realidade: Infância, Saúde Mental e Uso Consciente da Tecnologia”. O encontro ocorre das 14h às 16h, no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, em Florianópolis. A iniciativa tem como objetivo reunir especialistas para discutir o vício de crianças e adolescentes em dispositivos digitais, a segurança no ambiente virtual e os riscos da exposição precoce à internet, conforme informado pela assessoria do parlamento catarinense.
Especialistas debatem impactos do uso excessivo de tecnologia
O debate contará com a participação de autoridades e profissionais de diferentes áreas para analisar o cenário atual da dependência tecnológica. Entre os nomes confirmados está a secretária-geral da Alesc, Marlene Fengler. Ela é a autora da Lei 17.785/2019, que estabeleceu no estado a “Semana de Conscientização, Orientação, Prevenção e Combate à Dependência Tecnológica”.
A mesa redonda terá também a presença da psicanalista clínica comportamental e psicóloga Denise Porto, autora da obra “Guardiões do Reino Digital”, e da psicopedagoga Márcia Fiates, especialista em dificuldades cognitivas. A discussão será complementada pela visão técnica de Elias Edenis, policial civil especialista em crimes cibernéticos e educação preventiva, e por Andréa Vergani, representante do grupo Mulheres que Fazem Floripa.
Dados revelam alta exposição de crianças a dispositivos digitais
A necessidade do debate é reforçada por indicadores recentes sobre o comportamento de jovens no país. Segundo dados de uma pesquisa realizada em 2025 pela Fundação Marília Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha, crianças e adolescentes brasileiros excedem o tempo de tela recomendado por órgãos de saúde. O levantamento aponta que 78% das crianças entre zero e três anos utilizam tablets, celulares ou televisão diariamente. Na faixa etária de quatro a seis anos, o índice atinge 94%.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mantém diretrizes rígidas sobre o tema, não recomendando qualquer uso de telas para crianças de até dois anos. Para as demais faixas da infância, a orientação é que existam limites controlados para evitar prejuízos ao desenvolvimento.
Consequências no desenvolvimento cognitivo e social
Especialistas alertam que a permanência prolongada no ambiente digital pode comprometer o desenvolvimento socioemocional dos jovens. De acordo com as informações divulgadas pela organização do evento, os principais impactos observados incluem o isolamento social e a dificuldade de interação primária. Além disso, a dependência tecnológica pode afetar diretamente o aprendizado e o desempenho escolar, prejudicando a evolução cognitiva das crianças. O evento é gratuito e aberto à participação da comunidade interessada no tema.











