Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, o desenvolvimento do estado comprova que a força do setor industrial transcende a estrutura física de máquinas e fábricas. Em artigo divulgado recentemente, o dirigente destaca que o verdadeiro motor da economia catarinense reside nas pessoas e na sua capacidade de cooperação. Segundo Seleme, esse “espírito associativo” é o alicerce fundamental que justifica a resiliência da indústria local frente a cenários econômicos adversos.
Recorde nas exportações em cenário desafiador
Os dados de comércio exterior reforçam a análise do presidente da entidade. O estado registrou um novo recorde histórico em 2025, totalizando US$ 12,2 bilhões em exportações. O montante representa um crescimento de 4,4% na comparação com o ano anterior.
O resultado é considerado ainda mais expressivo por ter ocorrido em um contexto internacional complexo, caracterizado por barreiras tarifárias e um menor dinamismo na economia global. “O resultado se mostra ainda mais relevante uma vez que setores importantes para a economia catarinense foram diretamente afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, além da retração das vendas para a China”, pontua Seleme.
Estratégia e união do setor produtivo
A manutenção desse crescimento, de acordo com a análise da FIESC, não foi fruto do acaso, mas de uma atuação articulada entre empresas, sindicatos e entidades. A estratégia envolveu a busca ativa pela diversificação de mercados, resultando na ampliação das vendas para países da América do Sul — como Chile e Argentina —, Oriente Médio e Europa, compensando a queda em destinos tradicionais.
Para o presidente da Federação, esse movimento só é viável em um ambiente onde o associativismo é valorizado, permitindo que o setor ganhe escala e inteligência estratégica. “A organização coletiva fortalece a troca de informações, amplia a capacidade de negociação e permite respostas mais coordenadas em momentos de instabilidade”, afirma Seleme, reforçando que as pessoas estão no centro das decisões e soluções criativas.
Desafios econômicos para 2026
Apesar dos bons resultados, o cenário para 2026 exige cautela. Seleme alerta que a elevada taxa de juros no Brasil tem restringido o crédito e postergado investimentos, provocando uma desaceleração no crescimento industrial. Embora a produção em Santa Catarina tenha crescido 2,8% até outubro de 2025, a perda de ritmo já é perceptível.
Somadas às incertezas geopolíticas globais, essas variáveis exigem atenção constante. No entanto, a conclusão do presidente da FIESC é de que o estado reafirma sua convicção histórica: a indústria se torna mais resiliente quando apoiada nas pessoas e na união do setor. “É essa base sólida que permite enfrentar adversidades, preservar empregos e seguir construindo um futuro próspero para o estado”, finaliza.












