A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou, neste mês de outubro, um alerta para orientar famílias brasileiras sobre os cuidados na compra e no uso de brinquedos com inteligência artificial (IA). Segundo a Agência Brasil, a preocupação envolve a coleta de dados pessoais, a simulação de vínculos afetivos e os possíveis efeitos dessas interações sobre crianças e adolescentes.
Os produtos podem conversar, memorizar preferências e adaptar respostas ao comportamento dos usuários. Nos modelos com IA generativa, os diálogos não se limitam a falas previamente programadas, o que exige atenção ao conteúdo e às condições de funcionamento.
A orientação da entidade é avaliar se esses recursos oferecem benefícios claros à brincadeira e se o fabricante apresenta informações suficientes sobre segurança, privacidade e supervisão dos responsáveis.
Simulação de amizade exige atenção
A SBP ressalta que a inteligência artificial pode reproduzir expressões de carinho e empatia, mas não é uma pessoa. Segundo a entidade, uma revisão publicada na revista Pediatrics aponta o risco de crianças interpretarem esses sistemas como amigos ou cuidadores.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também chama a atenção para os chamados companheiros de IA, produtos que incentivam conversas e vínculos com crianças e adolescentes.
Além da interação afetiva, brinquedos conectados podem contar com câmeras, microfones e acesso à internet. Esses recursos permitem registrar informações e personalizar experiências, mas também levantam preocupações sobre exposição indevida e mecanismos que estimulam o uso prolongado.
Os efeitos dessas interações sobre a saúde mental e o comportamento a longo prazo ainda não estão suficientemente esclarecidos, conforme a SBP. Para a entidade, essa incerteza reforça a necessidade de proteção.
O que observar antes da compra
A recomendação é ter cautela, especialmente com produtos que mantêm conversas abertas, coletam informações pessoais ou simulam amizade, cuidado e apoio emocional. Quando não há benefício claro ou transparência sobre o funcionamento, a SBP orienta priorizar brinquedos sem essas funcionalidades.
Antes da compra, pais e responsáveis devem avaliar:
- Qual é a contribuição da tecnologia para a brincadeira e para a participação ativa da criança.
- Se o produto utiliza IA generativa, câmera, microfone ou conexão com a internet.
- Se a faixa etária e as orientações de supervisão estão claramente informadas.
- Quais dados são coletados, onde ficam armazenados e se podem ser compartilhados ou apagados.
- Se há publicidade, compras, assinaturas ou criação de perfis a partir do comportamento do usuário.
- Se a criança consegue compreender que conversa com um sistema de IA.
- Como o uso interfere no sono, na leitura, nas atividades físicas e na convivência familiar.
Também é necessário verificar quais funcionalidades vêm ativadas de fábrica. Caso as informações essenciais não estejam acessíveis, a orientação da entidade é escolher outro produto.
Famílias podem procurar canais de reclamação
Conforme o alerta divulgado pela Agência Brasil, os fornecedores devem informar os riscos e as medidas de segurança dos produtos, incluindo os cuidados com a privacidade e a proteção de dados.
Se houver coleta de informações não comunicada, conteúdo inadequado ou falhas de segurança, os responsáveis podem solicitar esclarecimentos ao fabricante e pedir a correção ou a eliminação dos dados da criança.
A SBP também indica os canais de atendimento dos fornecedores, o Procon, a plataforma consumidor.gov.br e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), conforme o problema identificado.
Nas compras realizadas fora de estabelecimento comercial, como pela internet, o documento lembra a possibilidade de desistência em até sete dias após o recebimento.













