O Instituto Butantan deu início, nesta segunda-feira (12), ao processo de recrutamento para a fase 3 do ensaio clínico de sua nova vacina contra a Influenza, desenvolvida especificamente para a população com 60 anos ou mais. Conforme informações divulgadas pela instituição, o novo imunizante inclui um adjuvante em sua formulação, substância capaz de potencializar a proteção contra a gripe em idosos, grupo que naturalmente apresenta imunidade reduzida e maior vulnerabilidade a complicações.
Nesta primeira etapa, o estudo focará na avaliação da segurança da vacina em 300 participantes. A seleção dos voluntários ocorre em sete centros de pesquisa distribuídos pelos estados de São Paulo, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Para participar, é necessário ter 60 anos ou mais e estar saudável ou possuir comorbidades que estejam clinicamente tratadas e estáveis. Pessoas com imunodeficiência ou doenças não estabilizadas não poderão integrar o grupo de testes.
Os centros participantes desta fase inicial incluem a A2Z Clinical Centro Avançado de Pesquisa Clínica (Valinhos-SP), o Centro de Pesquisa do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (Serrana-SP), a Fundação Faculdade Regional de Medicina (São José do Rio Preto-SP), a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (SP), a Associação Obras Sociais Irmã Dulce (Salvador-BA), a Universidade Federal de Sergipe (Laranjeiras-SE) e o Plátano Centro de Pesquisa Clínica (Recife-PE).
Se os resultados de segurança forem validados por um comitê independente, o estudo avançará para a próxima etapa, que prevê o recrutamento de 6.900 participantes, com a inclusão de mais 10 centros de pesquisa em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. A expectativa é que essa segunda fase inicie em abril, coincidindo com a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.
Nesta etapa ampliada, parte dos voluntários receberá a vacina adjuvada do Butantan, enquanto outra parte receberá uma vacina de alta dose, atualmente disponível apenas na rede privada, para fins de comparação.
“O objetivo é comprovar que a vacina Influenza adjuvada do Butantan, que não é de alta dose, tem potencial de provocar uma resposta elevada e semelhante à da vacina de alta dose em idosos”, explica o gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Butantan, Eolo Morandi Junior, responsável pelo estudo.
Caso os testes comprovem a eficácia, a vacina poderá ser incorporada futuramente ao Sistema Único de Saúde (SUS). O adjuvante utilizado, denominado IB160, foi desenvolvido pelo próprio Butantan e utiliza escaleno, uma substância segura que amplia o efeito imunogênico.
Mortes por influenza se concentram em idosos
A gripe é uma doença que varia de infecções assintomáticas a quadros graves, sendo transmitida por gotículas respiratórias ou contato com superfícies contaminadas. Dados do Boletim InfoGripe apontam que, em 2025, o Brasil registrou 231.812 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), resultando em 13.678 óbitos. Quase metade dessas mortes envolveu infecção pelo vírus influenza A, afetando majoritariamente idosos acima de 65 anos e crianças menores de dois anos.
A gravidade da gripe nos idosos é acentuada pela imunossenescência — o envelhecimento natural do sistema imunológico — e pela prevalência de comorbidades como hipertensão e diabetes. A vacinação é essencial para prevenir hospitalizações e evitar a sobrecarga do sistema de saúde.
Tradição na prevenção da gripe
O Instituto Butantan é parceiro do Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2013, fornecendo anualmente cerca de 80 milhões de doses da vacina Influenza trivalente. O imunizante é disponibilizado gratuitamente nas unidades básicas de saúde para grupos prioritários, que incluem, além dos idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas e pessoas em situação de rua.












