Certo sujeito andava
Sozinho pela estrada
E carregava consigo
Uma cruz muito pesada
Depois de tanto andar
Começou então notar
As costas muito cansadas.

Já sentindo-se exausto
Pelo peso carregado
Chegou em uma cidade
Ficou um pouco parado
Não estava agüentando
Dia e noite caminhando
Sentia-se bem cansado.

Chegando em uma loja
Deixou a cruz na entrada
Viu que ali vendiam cruzes
Resolveu dar uma olhada
Esta sorte me condena
Quero uma mais pequena
Para dar uma aliviada.

Procurando encontrou uma
De comprar era capaz
Neste momento pensou
Esta aqui me satisfaz
Resolveu então levar
Mas quando foi levantar
Era pesada de mais.

De trocar a sua cruz
Era vontade que tinha
Procurando mais um pouco
Encontrou uma cruzinha
Pensou até em comprar
Mas indo melhor olhar
Estava muito velhinha.

Procurando sua cruz
Ele deu mais uma andada
Nesta hora então viu uma
Numa parede encostada
No começo ate gostou
Olhando melhor notou
Que era feia, estragada.

Entre tantas viu mais uma
Parecia a procurada
Olhando bem viu que era
Grosseira, mal farquejada
Resolveu também largar
Esta ai vai me deixar
A costa mais calejada.

Deu a volta em toda a loja
Parou então de andar
Viu lá uma cruz bonita
Começou a apreciar
Baixinho falou assim
Encontrei a cruz pra mim
É esta que vou levar.

Com a cruz passou no caixa
Querendo dar uma acertada
O moço falou pra ele
Esta aí não custa nada
Pode fazer uso dela
Pois esta cruz é aquela
Que o senhor deixou na entrada.

O cara meio sem jeito
Saiu a cruz carregando
A mesma que já trazia
Estrada a fora pensando
Tive uma idéia mesquinha
Quanta cruz pior que a minha
Tem muita gente levando.

Então prezados leitores
A nossa vida assim
Aquilo que vem para nos
Carregamos até o fim
Com sacrifício ou conforto
Não posso passar pra outro
A cruz que veio para mim!