EconomiaConfiança da indústria melhora, mas pessimismo persiste

Confiança da indústria melhora, mas pessimismo persiste

A confiança dos empresários da indústria brasileira apresentou recuperação em outubro de 2026, mas o setor continua pessimista em relação à economia e aos próprios negócios. De acordo com levantamento divulgado nesta quarta-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) avançou 1,3 ponto, chegando a 46,2 pontos. A melhora foi motivada pelas expectativas menos negativas para os próximos seis meses.

Apesar do crescimento, o indicador permanece abaixo dos 50 pontos, limite que diferencia confiança de falta de confiança. Com o resultado, a indústria nacional acumula 22 meses consecutivos de pessimismo entre os empresários.

O principal responsável pela recuperação foi o Índice de Expectativas, que passou de 47,2 para 49,3 pontos, registrando alta de 2,1 pontos. O avanço demonstra uma percepção menos desfavorável sobre o desempenho das empresas e da economia brasileira nos próximos 180 dias, embora o indicador ainda não tenha alcançado o nível considerado positivo.

Avaliação do cenário atual piora

Enquanto as perspectivas futuras apresentaram melhora, a percepção dos empresários sobre a situação presente seguiu em direção contrária. O Índice de Condições Atuais caiu 0,2 ponto e atingiu 40 pontos, menor patamar registrado desde julho de 2020, período marcado pelos impactos da pandemia de covid-19.

A avaliação negativa está associada principalmente às dificuldades enfrentadas pelas próprias indústrias, que convivem com menor demanda por produtos, custos elevados e instabilidade no mercado internacional.

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a combinação de problemas antigos e recentes contribui para a deterioração do cenário industrial. Entre os fatores destacados estão a redução do consumo de produtos industriais e as pressões financeiras sobre as empresas.

A entidade também aponta que os custos de produção continuam comprometendo a situação financeira das indústrias, dificultando a recuperação da confiança no setor.

Pesquisa ouviu mais de mil empresas

O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 7 de outubro, com a participação de 1.103 empresas industriais de diferentes regiões do Brasil. Desse total, 456 são pequenas empresas, 414 médias e 233 grandes.

De acordo com a Agência Brasil, o Icei considera tanto a avaliação dos empresários sobre as condições atuais quanto suas expectativas para os seis meses seguintes. Na metodologia utilizada pela CNI, resultados inferiores a 50 pontos representam falta de confiança.

Mesmo com a recuperação registrada em outubro, os números indicam que a indústria brasileira ainda enfrenta dificuldades para reverter o cenário de pessimismo que se prolonga há quase dois anos.

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