A Prefeitura de Criciúma, por meio da Secretaria de Saúde, consolidou uma política pública pioneira em Santa Catarina ao garantir o fornecimento gratuito de sensores de glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Segundo informações da Prefeitura de Criciúma, a iniciativa, que teve início em agosto de 2025, atende atualmente 40 pacientes entre dois e 14 anos cadastrados na rede de atenção básica. O objetivo é substituir o método tradicional de múltiplas picadas diárias no dedo por um monitoramento contínuo e indolor, promovendo maior controle clínico e bem-estar para as famílias atendidas.
O dispositivo utilizado, o FreeStyle Libre, é aplicado na parte posterior do braço e permite a leitura dos níveis de açúcar no sangue em tempo real via aplicativo de celular. Essa tecnologia facilita a tomada de decisões sobre alimentação e doses de insulina, além de permitir que pais e profissionais de saúde acompanhem os dados remotamente.
Impacto na rotina das famílias e autonomia dos pacientes
Antes da implementação do programa, a rotina de cuidados era marcada por vigilância ininterrupta e desconforto físico. Isabele Gomes Soares, de 13 anos, enfrentava até sete perfurações diárias nos dedos desde o diagnóstico em 2017. Sua mãe, Daniele Lopes Gomes, relata as dificuldades do período anterior à tecnologia: “As picadas fazem com que eles percam a sensibilidade no dedo, incomodam e doem. Tinha choro, às vezes o dedo não dava certo e precisa furar de novo. Era um processo muito difícil, tanto para eles, como para a gente”.
Para Daniele, o sensor representa mais do que o fim da dor imediata; é uma ferramenta de preparação para o futuro da filha. “Pensando no futuro, isso é essencial. Ela vai crescer, fazer faculdade, talvez morar sozinha. O sensor ajuda a preparar ela para a vida, para ter autonomia e segurança”, avalia.
A mudança também foi drástica para a família de Elisa Ronchi Flausino, diagnosticada aos dois anos de idade. A mãe, Daniela Flausino, descreve que a insegurança causava privação de sono e um estado constante de alerta. “Eu não dormia. Colocava despertador para acordar várias vezes e medir a glicemia. Se precisasse, acordava ela para comer. Era vigilância 24 horas por dia. Quando eu dormia mais de duas horas, acordava assustada, achando que estava sendo negligente”, recorda. Com o monitoramento em tempo real, Daniela afirma que a dinâmica familiar foi restaurada: “Hoje eu e ela dormimos. Conseguimos ajustar, acompanhar e decidir com mais segurança”.
Gestão pública e o fortalecimento da rede municipal
A distribuição dos dispositivos faz parte de uma estratégia de saúde que visa reduzir complicações de longo prazo e internações hospitalares. O prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, enfatiza que a medida prioriza a dignidade humana. “Quando uma mãe diz que voltou a dormir tranquila, a gente entende que essa política pública valeu a pena. Não estamos entregando apenas um sensor, estamos devolvendo qualidade de vida, autonomia e esperança para essas crianças e adolescentes”, afirma o chefe do Executivo.
De acordo com o secretário de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, o acompanhamento contínuo é o diferencial da proposta. “O sensor permite um controle mais preciso da glicemia e facilita as decisões diárias sobre alimentação e uso de insulina. Estamos falando de mais tranquilidade no dia a dia, mais segurança no tratamento e de um acompanhamento contínuo que faz diferença na vida dessas crianças e adolescentes”, ressalta o secretário.
Atendimento especializado no Ambulatório Íris
O suporte aos pacientes beneficiados é centralizado no Ambulatório Íris, um serviço especializado da Secretaria Municipal de Saúde voltado exclusivamente ao diabetes tipo 1. Localizado no Centro Especializado em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (CESMCA), no Distrito de Rio Maina, o local oferece atendimento com equipe multiprofissional, incluindo endocrinologista pediátrico, nutricionista, psicóloga, assistente social e equipe de enfermagem.
Lucimara Nunes, coordenadora da Área Técnica em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, explica o conceito do serviço: “O Ambulatório Íris nasceu da necessidade de um atendimento multiprofissional para esses pacientes. Ele é representado pelo azul, cor oficial de conscientização do diabetes, e pela flor íris azul, símbolo de fé, esperança e sabedoria. O ambulatório foi estrategicamente pensado para trazer leveza e ressignificado aos pacientes e suas famílias”.
Desde o lançamento, o ambulatório já realizou cerca de 350 atendimentos. O acesso ao programa ocorre via Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que encaminham os pacientes para a avaliação do endocrinologista pediátrico e verificação dos critérios de inclusão no monitoramento contínuo.












