Pacientes com feridas de difícil cicatrização em Criciúma passaram a contar com um tratamento gratuito que pode auxiliar na recuperação dos tecidos e reduzir riscos de amputações. O serviço é oferecido pela Prefeitura de Criciúma, por meio do Ambulatório de Tratamento de Feridas do Hospital São José, com atendimento custeado pelo Município através do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (CISAMREC). A iniciativa atende pessoas com indicação clínica para oxigenoterapia hiperbárica e busca ampliar o acesso a cuidados de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os pacientes beneficiados está Jailson Pereira Roza, que há nove anos enfrenta consequências de um acidente de trabalho e do diagnóstico de diabetes. O quadro provocou infecções, limitações e levou à amputação do pé esquerdo, além de ameaçar a recuperação do pé direito.
Com o acompanhamento realizado no ambulatório e as sessões de oxigenoterapia hiperbárica, Jailson e a esposa, Aline Delfino, passaram a perceber avanços no tratamento. Segundo Aline, o acesso gratuito ao procedimento representa uma oportunidade que dificilmente seria possível de forma particular.
“Não imaginávamos ter acesso a um recurso desse nível. Desde o primeiro atendimento no ambulatório de feridas, nos sentimos acolhidos. Se tivéssemos que pagar por esse tratamento, precisaríamos abrir mão de bens importantes. Estamos muito felizes com os resultados já nas primeiras sessões”, afirma.
A oxigenoterapia hiperbárica utiliza oxigênio puro em um ambiente pressurizado, aumentando a quantidade de oxigênio disponível no sangue e favorecendo a regeneração dos tecidos, além de auxiliar no combate a infecções. O procedimento pode ser indicado para casos como úlceras crônicas, feridas relacionadas ao diabetes, escaras e outros quadros avaliados pela equipe médica.
O prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, destaca que a oferta do serviço reforça o compromisso com o atendimento humanizado na rede pública de saúde. “Garantir que uma família tenha acesso gratuito a um tratamento de alta complexidade significa oferecer dignidade e cuidado por meio do SUS”, afirma.
O vice-prefeito Salésio Lima ressalta que a tecnologia amplia as possibilidades de recuperação dos pacientes. “Esse atendimento fortalece a saúde pública e reduz o sofrimento de pessoas que convivem com feridas graves”, comenta.
Tecnologia integrada ao atendimento
O tratamento faz parte de um protocolo desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde e aplicado pelas equipes multidisciplinares responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes. De acordo com a enfermeira especialista em tratamento de feridas do Hospital São José, Néia Belmiro, Criciúma está entre as poucas cidades do Sul do Brasil que oferecem oxigenoterapia hiperbárica em leito hospitalar pelo SUS.
Segundo a especialista, o método permite que pacientes sem evolução satisfatória com tratamentos convencionais tenham acesso a uma alternativa terapêutica avançada. O atendimento envolve profissionais de diferentes áreas, como médicos, enfermeiros hiperbaristas, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, garantindo uma abordagem completa durante a recuperação.
Para o secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, a inclusão do procedimento representa um avanço na rede pública. “Estamos disponibilizando um recurso que antes ficava concentrado em grandes centros ou serviços particulares, garantindo que o paciente tenha continuidade no cuidado dentro do município”, destaca.












