EconomiaDesigualdade volta a crescer no Brasil, aponta IBGE

Desigualdade volta a crescer no Brasil, aponta IBGE

A desigualdade de renda voltou a crescer no Brasil em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, 8, após a renda dos brasileiros mais ricos avançar em ritmo superior ao registrado entre os mais pobres. As informações constam na Pnad Contínua Rendimento de Todas as Fontes 2025, citada pela Revista Oeste.

Renda cresce mais entre os mais ricos

De acordo com o levantamento, os 10% mais ricos tiveram aumento médio de 8,7% nos rendimentos em relação a 2024. Entre os 10% mais pobres, a alta foi de 3,1%.

Em valores médios mensais, os brasileiros de menor renda receberam R$ 268 em 2025. Já entre os 10% mais ricos, o rendimento chegou a R$ 9.117. No topo da pirâmide, o 1% mais rico alcançou renda média per capita de R$ 24.973, com avanço de 9,9% na comparação anual.

Índice de Gini tem primeira alta em quatro anos

O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, usado para medir a concentração de renda, passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Quanto mais perto de 1, maior é a desigualdade.

A alta interrompeu uma sequência de três anos de queda ou estabilidade. Apesar do avanço, o indicador ainda ficou abaixo do patamar registrado antes da pandemia. Em 2019, o índice era de 0,543. O maior nível da série histórica foi observado em 2018, quando chegou a 0,545.

Quando considerada apenas a renda do trabalho, a desigualdade também aumentou. Nesse recorte, o Gini passou de 0,487 para 0,491 entre 2024 e 2025, permanecendo abaixo dos 0,506 registrados em 2019.

Juros e rendas financeiras influenciam resultado

Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, parte do aumento da desigualdade está relacionada às rendas financeiras e imobiliárias, mais concentradas nas faixas de maior renda.

“Obviamente, o mercado de trabalho aquecido aumenta a renda do trabalho, que pesa bastante. E houve um crescimento expressivo da renda do trabalho”, afirmou. “Mas tem outras condicionantes, como a renda de outros rendimentos, que inclui aplicações financeiras, e de aluguéis.”

Fontes também relacionou os juros elevados ao aumento dos ganhos com aplicações financeiras em domicílios de maior renda. “A gente observa, por exemplo, domicílios de elevada renda que apontam esse tipo de rendimento”, disse.

Indicadores econômicos atingem recordes

Mesmo com a piora na distribuição de renda, o Brasil registrou recordes em indicadores econômicos em 2025. O rendimento médio mensal de todas as fontes chegou a R$ 3.367, enquanto o rendimento de todos os trabalhos alcançou R$ 3.560. O rendimento domiciliar per capita ficou em R$ 2.264.

A massa de rendimentos do trabalho somou R$ 361,7 bilhões. Já a massa domiciliar per capita chegou a R$ 481,3 bilhões. Ambos foram os maiores níveis da série histórica.

O levantamento também apontou aumento no rendimento médio entre beneficiários do Bolsa Família, que chegou a R$ 774 em 2025, alta de 2,8%. Ainda assim, o valor correspondeu a menos de 30% do rendimento médio dos domicílios que não recebem o benefício.

Concentração de renda avança no país

Outros dados reforçam o aumento da concentração de renda. A massa de rendimentos dos 10% mais ricos foi 13,8 vezes maior que a dos 40% mais pobres em 2025. Em 2024, essa relação era de 13,2 vezes.

Entre o 1% mais rico, a diferença foi ainda mais ampla. A massa de rendimentos desse grupo correspondeu a 37,7 vezes a dos 40% mais pobres. No ano anterior, a proporção era de 35,9 vezes.

Os 10% mais ricos concentraram 40,3% de toda a massa de rendimentos do país em 2025. Já os 70% mais pobres ficaram com 32,8% do total.

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