A desinformação sobre o HIV continua sendo um dos principais obstáculos para o controle da infecção e o combate ao preconceito. Uma pesquisa internacional divulgada pela iniciativa Tackle HIV revela que crenças equivocadas ainda afastam milhares de pessoas da testagem e do tratamento. O levantamento foi apresentado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, e alerta que a permanência do estigma pode resultar em cerca de 440 mil mortes evitáveis nesta década.
Segundo Gareth Thomas, representante e um dos idealizadores da campanha Tackle HIV, o preconceito provoca impactos diretos na saúde pública. O receio de realizar o teste, iniciar o tratamento ou até mesmo conviver com pessoas que vivem com HIV faz com que muitas pessoas deixem de buscar diagnóstico e acompanhamento médico.
Apesar dos avanços científicos e da redução global de novas infecções e mortes relacionadas à Aids em 2025, o cenário preocupa em 21 países, entre eles o Brasil, onde os casos voltaram a crescer. Dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 mostram que foram registrados 39.216 novos casos de infecção no país durante o ano anterior, sendo a maior concentração na Região Sudeste, responsável por 38,4% das notificações.
De acordo com Thomas, a pesquisa busca compreender como cada país lida com a doença para orientar ações mais eficazes de conscientização. A iniciativa realiza levantamentos locais antes de desenvolver campanhas específicas voltadas às necessidades de cada população.
O estudo ouviu 2.006 brasileiros adultos pela internet e revelou que ainda existem muitos equívocos sobre a transmissão do vírus. Entre os entrevistados, 36% acreditam que homens heterossexuais não correm risco de contrair HIV, enquanto 37% pensam o mesmo em relação às mulheres heterossexuais.
Segundo a Agência Brasil, a pesquisa também mostrou que apenas 48% dos participantes já realizaram o teste para HIV. Entre aqueles que cogitaram fazer o exame, mas desistiram, a justificativa mais comum foi acreditar que não pertencem a um grupo de risco.
Outro dado preocupante é que 19% dos entrevistados ainda acreditam que pessoas vivendo com HIV não podem manter uma vida sexual ativa. Além disso, somente 29% sabiam que indivíduos em tratamento eficaz, com carga viral indetectável, não transmitem o vírus por via sexual.
No cenário internacional, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) segue trabalhando para eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 por meio das metas “95-95-95”. Países como Botsuana, Ruanda, Tanzânia e Zimbábue já atingiram os três indicadores.
O Brasil alcançou a primeira meta em 2020, quando 95% das pessoas vivendo com HIV passaram a conhecer seu diagnóstico. Em 2024, também atingiu a meta referente à supressão da carga viral entre pessoas em tratamento.
Na última terça-feira (28), o Governo Federal informou que estuda incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, método que pode prevenir a infecção pelo HIV por até seis meses em pessoas saudáveis.
Criada pelo ex-jogador de rugby galês Gareth Thomas, em parceria com a ViiV Healthcare e organizações filantrópicas, a campanha Tackle HIV atua mundialmente para reduzir o estigma e ampliar o acesso à informação. Diagnosticado com HIV em 2009, Thomas destaca que os avanços da medicina permitem que pessoas diagnosticadas iniciem rapidamente o tratamento e tenham uma vida longa, saudável e sem limitações causadas pelo vírus.













