GeralDocumentário resgata história de Derley e ditadura

Documentário resgata história de Derley e ditadura

O documentário “Derley – Desafiando o Silêncio”, dirigido pelo professor, pesquisador e cineasta Alcides Goulart Filho, reconstrói a trajetória da militante Derley Catarina de Luca, destacando sua luta por democracia e direitos humanos durante e após a ditadura militar no Brasil. A produção, realizada pela Mosaico Filmes, percorreu 17 cidades em quatro países — Brasil, Chile, Panamá e Cuba — e foi apresentada em entrevista ao vivo no PodCast da Rádio Amorim.

Professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) há mais de três décadas, Alcides Goulart Filho explica que a obra surge da necessidade de preservar a memória histórica e reforçar o valor da democracia, especialmente em momentos em que o tema volta ao debate público. Segundo ele, a escolha de contar a história de Derley se deve à relevância de sua atuação política e social, com impacto regional e nacional.

Natural de Içara (SC), Derley de Luca se envolveu na militância política no fim da década de 1960, durante o período de repressão do regime militar. Após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), entrou na clandestinidade, foi presa em São Paulo e submetida a torturas por 17 dias. Mesmo após ser libertada, retomou a militância, passando por diferentes estados brasileiros até ser forçada ao exílio. Viveu no Chile, Panamá e, posteriormente, em Cuba, onde permaneceu por seis anos até retornar ao Brasil com a anistia, em 1979.

O documentário é baseado principalmente no livro “No Corpo e na Alma”, escrito pela própria Derley, e apresenta uma adaptação cinematográfica de sua trajetória, combinando relatos, entrevistas e imagens dos locais por onde passou. Ao todo, foram realizadas 17 entrevistas, incluindo familiares, ex-companheiros de militância e o filho da protagonista, que contribuiu para a construção da narrativa.

A produção adotou o conceito de “documentário vivido”, no qual a equipe percorre os mesmos caminhos da personagem para reconstruir experiências e emoções. Entre os principais desafios enfrentados durante as gravações, o diretor destaca a logística internacional e situações inusitadas, como filmagens em locais remotos do Panamá, realizadas com equipe reduzida e recursos próprios.

Além de abordar episódios de violência, prisão e exílio, o filme também busca evidenciar a dimensão humana de Derley, destacando momentos de afeto, maternidade e apreciação cultural mesmo em contextos adversos. A proposta estética aposta em elementos como silêncio, contemplação e enquadramentos inspirados no cinema clássico e no neorrealismo, criando uma narrativa sensível e reflexiva.

Para o diretor, a principal mensagem do documentário é a valorização da democracia e da liberdade de expressão. “É um trabalho para que não se esqueça e para que nunca mais aconteça”, resume. A obra reforça a importância de preservar a memória histórica como forma de evitar a repetição de violações de direitos e de fortalecer o debate público sobre o passado e o presente do país.

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