A Epagri completa cinco décadas de atuação consolidando-se como o pilar tecnológico do campo em Santa Catarina. Com o olhar voltado para os próximos anos, a empresa pública intensifica investimentos em agricultura digital e biotecnologia para garantir que o setor produtivo catarinense mantenha a competitividade diante das oscilações climáticas e dos custos crescentes de produção.
Segundo Reney Dorow, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, o foco é a entrega de soluções práticas. “O mercado agropecuário precisa aumentar a produtividade com o menor custo e impacto ambiental possível e a agricultura 4.0 e a biotecnologia são essenciais para alcançar esses resultados”, afirma o pesquisador em entrevista à jornalista Cléia Schmitz.
Agricultura digital e o monitoramento em tempo real
O uso de dados precisos já é realidade através do Agroconnect. O sistema monitora clima, solo e recursos hídricos em tempo real, utilizando mais de 300 estações meteorológicas. Para a pesquisadora Cristina Pandolfo, gerente do Epagri/Ciram, essa tecnologia é a barreira de defesa contra eventos extremos como granizo e geadas.
“Recentemente, o agronegócio catarinense teve perdas em decorrência de eventos extremos. O acesso à agricultura digital se torna ainda mais importante para garantir a renda familiar e a segurança alimentar local”, destaca Cristina.
Um exemplo prático vem de Caçador, onde o fruticultor Eduardo Scapinelli utiliza o monitoramento de frio para gerir seu pomar de maçãs. “A partir do conjunto dessas informações, nós tomamos as decisões das quebras de dormências nas macieiras”, explica o produtor. A precisão permite economizar em insumos caros, como vitaminas de tratamento, reduzindo custos operacionais.
Biotecnologia e a ascensão dos bioinsumos
Outra frente estratégica é a biotecnologia. No Brasil, o uso de bioinsumos cresce 22% ao ano, superando a média global. O pesquisador Leandro Ribeiro, do Epagri/Cepaf, reforça que esses produtos já são o presente da agricultura, citando o uso de bactérias (rizóbio) que substituem fertilizantes sintéticos poluentes na cultura da soja.
A Epagri tem avançado na criação de um banco de fungos nativos de Santa Catarina com potencial biopesticida e promotor de crescimento. “Conseguimos obter isolados multifuncionais que têm despertado o interesse da iniciativa privada”, revela Leandro.
Em Guatambu, o agricultor Leonardo Zeni aplica a tecnologia desde 2020. Ele destaca que a consultoria da Epagri foi vital para validar os produtos. “Nós estamos sempre buscando formas de melhorar a produtividade. Na colheita, observamos melhorias na produção e passamos a utilizar em toda a propriedade”, conta Zeni.
Compromisso com a segurança alimentar
Para o presidente da Epagri, Dirceu Leite, o papel da pesquisa pública é antecipar crises. “Investir em ciência, tecnologia e inovação na Epagri é investir em segurança alimentar, em renda no campo e em um modelo de desenvolvimento mais justo e resiliente”, finaliza.












