Santa Catarina terá um sistema digital para rastrear e gerenciar o cumprimento das metas de reciclagem no estado, por meio do SisREV SC, plataforma desenvolvida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). O projeto foi apresentado nesta terça-feira (20), em Florianópolis, durante o seminário “Logística Reversa de Embalagens em Geral no Estado de Santa Catarina”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), com o objetivo de ampliar o controle, a rastreabilidade e a transparência da logística reversa de embalagens pós-consumo.
Sistema vai integrar cadeia da reciclagem
De acordo com informações da FIESC, o SisREV SC está em desenvolvimento pelo IMA e deverá conectar diferentes agentes da cadeia de logística reversa. A plataforma envolverá desde empresas responsáveis pela colocação de produtos no mercado até cooperativas de reciclagem.
O sistema permitirá o envio eletrônico de relatórios e o acompanhamento das metas pelos órgãos ambientais. A proposta é tornar mais efetivo o controle sobre a destinação de embalagens pós-consumo e fortalecer a gestão ambiental no estado.
A implementação do modelo ocorre no contexto do Decreto Estadual nº 1.056/2025, que estabelece diretrizes para a operacionalização da logística reversa em Santa Catarina. Segundo a FIESC, iniciativas semelhantes já são adotadas em outros estados brasileiros.
Desafios ainda limitam avanço do modelo
Apesar dos avanços na regulamentação, representantes da indústria e especialistas apontaram entraves para a consolidação da logística reversa em Santa Catarina. Entre os principais desafios estão a necessidade de incentivos fiscais, a ampliação da coleta seletiva, o fortalecimento das cooperativas de reciclagem, a maior participação do comércio e a conscientização da população sobre o descarte correto de resíduos.
O coordenador do Comitê de Logística Reversa do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC, Albano Schmidt, defendeu a criação de mecanismos capazes de reduzir os obstáculos econômicos da cadeia.
“O avanço da logística reversa também passa pela criação de incentivos fiscais e pela revisão da tributação sobre os materiais reciclados. Precisamos de um ambiente que estimule a reciclagem e fortaleça toda a cadeia da economia circular em Santa Catarina”, declarou.
Tributação foi debatida no seminário
A tributação sobre materiais recicláveis também foi destacada durante o encontro. O presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), Luciano Loubet, afirmou que o modelo atual cria distorções na cadeia da reciclagem.
“Existe uma ilogicidade em tributar o resíduo reciclado. Quando o material vai para o aterro sanitário, o custo é menor, mas quando ele retorna para a cadeia produtiva por meio da reciclagem, há incidência de tributos”, afirmou.
Evento reuniu indústria, especialistas e poder público
O seminário foi organizado pelo Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC, por meio da Coordenadoria de Logística Reversa. O encontro reuniu representantes da indústria, especialistas, entidades setoriais e poder público para discutir os impactos da nova regulamentação estadual e as oportunidades relacionadas à economia circular.
Segundo Albano Schmidt, a atividade integrou a programação paralela do Fórum Mundial de Economia Circular, aproximando Santa Catarina dos debates internacionais sobre sustentabilidade e gestão de resíduos.













