SaúdeFiocruz aponta alta de vírus respiratórios em Santa Catarina

Fiocruz aponta alta de vírus respiratórios em Santa Catarina

Santa Catarina está entre os estados brasileiros que registram aumento de casos graves associados ao rinovírus e ao metapneumovírus. A informação consta no novo Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira (8). O levantamento aponta crescimento da circulação de determinados vírus respiratórios no país e reforça a importância da vacinação e dos cuidados preventivos, principalmente entre crianças e idosos.

De acordo com o estudo, Santa Catarina apresenta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas analisadas. Apesar disso, o estado não registra sinal de crescimento sustentado no indicador geral de SRAG nas últimas seis semanas.

O boletim considera os dados disponíveis até a Semana Epidemiológica 39 de 2026 e identifica mudanças na circulação de diferentes vírus respiratórios em diversas regiões brasileiras.

Santa Catarina registra aumento de dois vírus respiratórios

O levantamento da Fiocruz aponta crescimento dos casos graves provocados pelo metapneumovírus em Santa Catarina e no Paraná. A tendência também foi observada em estados das regiões Sudeste e Nordeste, além de Mato Grosso do Sul.

O rinovírus, frequentemente associado a infecções respiratórias, também apresenta aumento de casos graves em território catarinense. O mesmo comportamento foi identificado no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e outras unidades da federação.

Embora esses agentes estejam em expansão, Santa Catarina não aparece entre os três estados com tendência de crescimento do indicador geral de SRAG no longo prazo. Essa condição foi identificada em Alagoas, Roraima e Sergipe, onde o aumento ocorre principalmente entre crianças e adolescentes.

Casos respiratórios apresentam crescimento no país

No cenário nacional, os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave apresentam sinais de estabilização ou oscilação nas últimas seis semanas. Entretanto, a análise das três semanas mais recentes indica uma tendência de crescimento no curto prazo.

Segundo a Fiocruz, rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19, estão entre os agentes que apresentam aumento de casos graves no Brasil.

Apesar da elevação observada, a incidência de novas hospitalizações por Covid-19 permanece baixa no país.

Por outro lado, os casos graves associados ao vírus sincicial respiratório (VSR) e à influenza B apresentam tendência de queda. As hospitalizações provocadas pela influenza A permanecem estáveis, também em níveis baixos de incidência.

Entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, os pesquisadores identificaram um leve sinal de retomada do crescimento dos casos de SRAG. Nas demais faixas etárias, a tendência é de estabilização.

Brasil ultrapassa 161 mil registros de síndrome respiratória grave

Os dados epidemiológicos apontam que o Brasil contabilizou 161.053 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026, considerando o período analisado pelo boletim.

Desse total, 86.534 casos, equivalentes a 53,7%, tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Outros 58.143 exames apresentaram resultado negativo, enquanto aproximadamente 7.270 notificações ainda aguardavam confirmação laboratorial.

Entre os casos positivos registrados ao longo do ano, o vírus sincicial respiratório representou 40% das identificações, seguido pelo rinovírus, com 32,5%, e pela influenza A, com 16,2%.

A influenza B respondeu por 5,5% dos resultados positivos, enquanto o Sars-CoV-2 representou 3,8%.

Rinovírus predomina entre os casos positivos recentes

Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes, o rinovírus foi identificado em 52,5% dos casos positivos de SRAG. O vírus sincicial respiratório apareceu em 15,8%, seguido pela influenza B, com 6,5%, pelo Sars-CoV-2, com 4,5%, e pela influenza A, com 2,7%.

No mesmo período, entre os óbitos com identificação de vírus respiratórios, o rinovírus esteve presente em 37,2% dos resultados positivos analisados.

Os percentuais evidenciam a participação desses agentes nos casos graves e nos óbitos investigados, mas não representam a taxa de mortalidade individual de cada infecção.

Crianças e idosos concentram os maiores riscos

O levantamento aponta que a Síndrome Respiratória Aguda Grave continua afetando de maneira mais intensa as faixas etárias extremas.

As crianças de até dois anos apresentam as maiores taxas de incidência, principalmente em decorrência de infecções associadas ao rinovírus, ao vírus sincicial respiratório e ao metapneumovírus.

Já entre os idosos, especialmente aqueles com 65 anos ou mais, o impacto é maior em relação à mortalidade.

Nessa faixa etária, o VSR, o rinovírus e a influenza A aparecem entre os principais agentes associados aos óbitos por infecções respiratórias graves.

A Fiocruz também destaca que o rinovírus e o VSR estão entre os vírus associados à mortalidade de crianças pequenas.

Fiocruz reforça importância da vacinação

Diante das tendências identificadas no boletim, os pesquisadores orientam que os grupos prioritários mantenham a vacinação contra a Covid-19 atualizada, conforme as recomendações do Ministério da Saúde.

Outra medida destacada é a imunização de gestantes contra o vírus sincicial respiratório, responsável por infecções que podem provocar complicações importantes em bebês.

Embora os casos graves de Covid-19 permaneçam em níveis baixos, o acompanhamento epidemiológico continua necessário para identificar mudanças no comportamento dos vírus e antecipar possíveis aumentos na demanda por atendimento hospitalar.

O Boletim InfoGripe é produzido pela Fiocruz e acompanha a evolução dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave no Brasil, contribuindo para o monitoramento da circulação viral e para as ações de saúde pública.

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