A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assumiu a coordenação de uma nova estratégia nacional para o controle da dengue, financiada pelo Ministério da Saúde (MS). A instituição ficará responsável pelo monitoramento da aplicação da vacina Butantan-DV no estado de Minas Gerais. O município de Nova Lima foi um dos três selecionados no Brasil pelo MS para iniciar a vacinação em massa a partir do dia 17 de janeiro.
Segundo informações divulgadas pela Fiocruz Minas, as doses serão distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e estarão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade mineira. O público-alvo abrange pessoas de 15 a 59 anos, em dose única. O objetivo central da ação é avaliar o impacto da imunização em larga escala na interrupção da transmissão do vírus.
Além de Nova Lima, as cidades de Botucatu (SP) e Maranguape (CE) também integram a iniciativa. Em território mineiro, a coordenação é da Fiocruz Minas, contando com o apoio da Prefeitura e Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, além da Secretaria de Estado de Saúde. Diferentemente do restante do país, onde a vacinação seguirá de forma gradual e focada em grupos prioritários conforme o Programa Nacional de Imunizações (PNI), estes três municípios receberão quantitativo suficiente para vacinar toda a população da faixa etária estipulada de forma acelerada.
Durante o período de um ano, a Fiocruz analisará a incidência da doença no município após a vacinação em massa, além de monitorar eventuais eventos adversos raros.
Oportunidade para o controle da doença
A seleção de Nova Lima baseou-se em critérios demográficos e índices epidemiológicos da doença. Para Rafaella Fortini, pesquisadora da Fiocruz Minas e coordenadora do monitoramento no estado, trata-se de uma oportunidade histórica.
“O Ministério da Saúde escolheu três municípios. Então, esse é um ponto bastante importante para Minas Gerais, porque nós temos a possibilidade, ao vacinar toda uma população de um município, de controlar a transmissão dessa doença”, destaca Fortini.
A diretora da Fiocruz Minas, Cristiana Brito, reforça a relevância do projeto para o cenário nacional. “Essa iniciativa permitirá a vacinação em massa da população de 15 a 59 anos, criando a possibilidade de interromper a transmissão da dengue de forma mais rápida em Nova Lima, servindo como exemplo para o restante do país”, afirma.
Segurança e eficácia comprovadas
É importante ressaltar que a vacina Butantan-DV já foi submetida a rigorosos testes de segurança e eficácia iniciados em 2016. A etapa atual não configura um estudo experimental da vacina em si, mas uma aplicação prática para observar o comportamento da transmissão viral em um ambiente de alta cobertura vacinal.
“A Butantan-DV é uma vacina efetiva e segura, o que já foi confirmado por vários estudos. Eles comprovaram que, quando acontece algum evento adverso, são eventos leves, como dor local, uma vermelhidão no local da injeção e dor de cabeça passageira”, explica Rafaella Fortini.
Os dados apontam uma eficácia global de 74%, com redução de 91% nos casos graves e proteção de 100% contra hospitalizações decorrentes da dengue.
Mobilização popular
Para que o monitoramento e o controle da doença sejam bem-sucedidos, o engajamento dos moradores de Nova Lima é fundamental. A adesão da população pode ser decisiva para o aprimoramento das políticas públicas de imunização em todo o Brasil.
Cristiana Brito salienta que a interrupção da transmissão depende diretamente do volume de vacinados. “Quanto maior o número de pessoas vacinadas, maiores as chances de interromper a transmissão do vírus e controlar a doença. Então, é muito importante que as pessoas participem dessa iniciativa. Todas as UBS vão estar abertas no dia 17 e é importante o engajamento da população para permitir que esse monitoramento seja eficiente”, conclui a diretora.












