O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em conjunto com a 11ª Promotoria de Justiça de Criciúma, deflagrou na manhã desta quinta-feira (05/02) a “Operação Ubiquidade”. A ação busca desarticular um esquema de crimes contra a administração pública que teria ocorrido entre os anos de 2021 e 2024. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Criciúma e Balneário Rincão, visando coletar provas sobre o envolvimento de um ex-agente público comissionado e diretores de uma instituição de ensino.
Conforme as informações divulgadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a investigação apura o pagamento de vantagens indevidas mascaradas por contratos de prestação de serviços. O órgão aponta indícios de que tais serviços jamais foram executados, servindo apenas como ferramenta para o repasse de propina e o favorecimento pessoal do agente envolvido.
Esquema envolvia influência política e favorecimento institucional
De acordo com as apurações preliminares, o investigado teria utilizado sua posição estratégica na gestão de fundos municipais para articular a implementação de um novo centro de serviços na cidade. O objetivo seria beneficiar uma instituição de ensino específica, que possuía interesse direto em assumir a gestão da unidade.
Em contrapartida ao apoio político e administrativo, a entidade de ensino teria firmado contrato com uma empresa que, segundo o GAECO, funcionava apenas como fachada. A empresa pertence à esposa do então agente público e recebia pagamentos parcelados por supostos serviços de “apoio administrativo”.
Indícios de empresa de fachada e irregularidades contratuais
As evidências colhidas até o momento reforçam a tese de fraude. A empresa contratada pela instituição de ensino não possuía funcionários registrados em seu quadro. Além disso, a proprietária e esposa do investigado mantinha, simultaneamente, um cargo com carga horária de 200 horas mensais em outra atividade, o que tornaria tecnicamente inviável a execução dos serviços de consultoria previstos no contrato.
O nome “Ubiquidade” faz referência direta a essa impossibilidade física: a prova central do caso indica que a responsável pela empresa não poderia estar presente e executando o objeto do contrato enquanto cumpria sua jornada laboral regular em outro local.
Continuidade das investigações e papel do GAECO
O material apreendido durante as buscas em Criciúma e Balneário Rincão será analisado para identificar a participação de outros possíveis envolvidos e detalhar o fluxo financeiro do esquema. Por se tratar de uma investigação em curso, os autos tramitam sob sigilo, com novas atualizações previstas para o momento em que houver a publicidade do processo.
O GAECO, responsável pela operação, atua como uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público catarinense. O grupo reúne esforços da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, com o foco em identificar e reprimir atividades de organizações criminosas no estado.
Posicionamento oficial da Prefeitura de Criciúma
O Governo de Criciúma informou que os mandados de busca e apreensão de documentos cumpridos nesta quinta-feira (5), segundo o Ministério Público de Santa Catarina, dizem respeito a fatos supostamente ocorridos entre os anos de 2021 e 2024. A Administração Municipal declarou que permanece à disposição das autoridades para contribuir com o andamento das investigações.












