EconomiaGreve dos Correios segue sem prazo para terminar

Greve dos Correios segue sem prazo para terminar

A greve dos trabalhadores dos Correios continua nesta segunda-feira (14), em diversas regiões do país, sem previsão de encerramento. A paralisação começou na sexta-feira (11), após a categoria rejeitar uma proposta apresentada pela estatal durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. Entre os principais pontos de discordância estão mudanças no plano de saúde e a preservação de direitos dos trabalhadores, aposentados e dependentes.

De acordo com a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), a decisão pela greve ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem que fosse alcançado um acordo.

A entidade afirma que o plano de saúde dos funcionários é um dos principais impasses. Segundo a federação, a direção dos Correios pretende promover alterações no benefício, considerado fundamental pela categoria.

Entregas e atendimento

Os Correios informaram que acionaram o Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os efeitos da paralisação e preservar os serviços em todo o território nacional.

Entre as medidas anunciadas estão o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar nas operações, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo logístico. A estatal também informou que as agências continuam funcionando normalmente para atendimento ao público.

Até o momento, os Correios não detalharam se haverá mudanças nos prazos de entrega ou quais localidades poderão sofrer maiores impactos.

Clientes que precisarem de atendimento podem utilizar os canais digitais da empresa ou entrar em contato pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210.

TST determina manutenção de 80% do efetivo

Diante do impasse, os Correios ingressaram na sexta-feira (11) com um pedido de dissídio coletivo no TST. A iniciativa ocorreu após o fim da mediação sem acordo e a rejeição da proposta do ACT 2026/2028 nas assembleias dos trabalhadores.

No sábado (12), uma decisão liminar do tribunal determinou que 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a greve.

A determinação alcança setores de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte consideradas necessárias para garantir a continuidade da cadeia postal.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST. As partes ainda podem chegar a um acordo antes da data prevista para o julgamento.

Enquanto isso, a FINDECT orienta os sindicatos filiados a manterem a paralisação e as mobilizações. A federação afirma que continua disponível para o diálogo e para a construção de uma proposta que possa ser analisada pelos trabalhadores.

Estados e regiões com adesão

Segundo a FINDECT, sindicatos de diferentes estados e regiões aprovaram a paralisação. A relação divulgada pela entidade inclui representações do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

Também aderiram entidades que representam regiões específicas, como Campinas, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santa Maria, Uberaba, Vale do Paraíba, Bauru e Santos.

Correios enfrentam dificuldades financeiras

A paralisação ocorre em meio a um cenário financeiro delicado para a estatal. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos com resultados negativos.

No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Apesar do resultado, o prejuízo do segundo trimestre foi inferior ao registrado nos dois períodos anteriores, que incluem o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.

A estatal também aguarda um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, previsto para ser recebido até 15 de setembro. O financiamento deverá ser concedido por um consórcio formado por bancos, incluindo três instituições estrangeiras — Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank — e o Banrisul.

O valor já havia sido confirmado pelos Correios nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto. No final de 2025, a empresa havia recebido R$ 12 bilhões em outro empréstimo.

O que dizem os Correios

Em posicionamento, a estatal informou que mantém o Plano de Continuidade de Negócios para garantir a prestação dos serviços e minimizar possíveis impactos da greve.

Os Correios afirmam que respeitam o direito de greve dos trabalhadores, mas destacam que a paralisação ocorre em um período considerado sensível para a situação econômico-financeira da empresa.

A estatal diz que mantém como prioridades a redução de despesas, o aumento da eficiência, a modernização das operações e a busca por novas receitas.

O julgamento do dissídio coletivo no TST está previsto para 21 de setembro, mas um eventual acordo entre trabalhadores e empresa pode ser firmado antes dessa data.

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