EconomiaGrupo Gennius, do Habib’s, entra em recuperação judicial

Grupo Gennius, do Habib’s, entra em recuperação judicial

O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, teve o processamento de sua recuperação judicial deferido pela Justiça de São Paulo na terça-feira (25 de agosto), um dia após protocolar o pedido, com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. Segundo a Agência Brasil, o grupo atribui as dificuldades financeiras aos efeitos da pandemia de covid-19, às mudanças provocadas pelo avanço do delivery e ao aumento dos juros.

O processo tramita na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O juiz Jomar Juarez Amorim nomeou a KPMG como administradora judicial, responsável por acompanhar a situação financeira das empresas e o andamento da recuperação.

Em nota divulgada após a decisão, o Grupo Gennius afirmou que a medida faz parte de seu processo de reestruturação financeira e busca preservar a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.

“As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, informou a companhia, conforme publicado pela Agência Brasil.

Pandemia, delivery e juros pressionaram as operações

De acordo com o grupo, a crise financeira foi agravada pelos impactos da pandemia sobre as lojas físicas, especialmente as instaladas em shoppings e regiões de grande circulação de pessoas.

A empresa sustenta que a redução do fluxo de consumidores nesses locais afetou as receitas. Paralelamente, o crescimento das plataformas de entrega modificou hábitos de consumo e ampliou a participação do delivery no setor de alimentação.

Outro fator citado no processo é o aumento dos juros. Segundo a companhia, a elevação do custo do crédito encareceu dívidas, pressionou o capital de giro e reduziu a capacidade financeira das empresas.

Recuperação reúne 178 empresas do grupo

A recuperação judicial abrange 178 pessoas jurídicas ligadas à estrutura do Grupo Gennius. Segundo a Agência Brasil, estão incluídas 119 lojas do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo, seis churrascarias Tendall Grill, dez franqueadoras e holdings e 17 sociedades operacionais.

O passivo declarado soma R$ 265,2 milhões. Desse montante, aproximadamente R$ 22,3 milhões correspondem a créditos trabalhistas e R$ 241,7 milhões estão concentrados em créditos quirografários e categorias relacionadas.

Há ainda cerca de R$ 1,15 milhão em créditos enquadrados como pertencentes a microempresas ou empresas de pequeno porte, completando o valor total informado no processo.

KPMG deverá apresentar relatório à Justiça

A KPMG terá prazo de 15 dias para apresentar um relatório sobre a situação das empresas incluídas na recuperação. Os credores também poderão questionar os valores relacionados pelo grupo ou solicitar a inclusão de créditos que não constem inicialmente na relação apresentada.

O Grupo Gennius, por sua vez, terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação judicial. O documento deverá indicar as medidas propostas para reorganizar as dívidas e permitir a continuidade das atividades. A ausência do plano dentro do prazo legal pode levar à decretação da falência.

A Justiça também determinou a suspensão de ações e execuções sujeitas à recuperação contra as empresas. Por outro lado, foi negado o pedido do grupo para liberação de recebíveis bancários vinculados a garantias.

Grupo prevê reorganização e novas unidades

Como parte da tentativa de retomada, o Grupo Gennius pretende promover uma reorganização societária, ampliar a participação do delivery e avaliar a abertura de novas unidades em mercados considerados promissores.

O Habib’s foi fundado em 1988, em São Paulo, segundo informações institucionais da própria rede. A marca expandiu suas operações baseada em refeições rápidas e preços competitivos e, posteriormente, o grupo passou a reunir também negócios como Ragazzo e Tendall Grill.

A recuperação judicial não representa o encerramento imediato das atividades. O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras negociem suas obrigações sob supervisão da Justiça enquanto buscam reorganizar suas operações. No caso do Grupo Gennius, a companhia afirma que as unidades permanecem abertas e atendendo normalmente.

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