EsporteImigrantes africanos terão time no Municipal de Criciúma

Imigrantes africanos terão time no Municipal de Criciúma

O Campeonato Municipal de Futebol de Criciúma começa neste sábado (16), em Criciúma, com a participação do Cogacri, equipe formada por imigrantes de Gana e Togo que vivem na região do bairro Pinheirinho. O grupo entra na competição para representar a comunidade africana na cidade e reforçar a presença dos imigrantes no esporte local.

A competição será disputada por três chaves, cada uma com cinco equipes. Entre os times inscritos está o Cogacri, sigla para Comunidade Gana Criciúma, formado por jogadores de países da África Ocidental.

Equipe reúne moradores do bairro Pinheirinho

Segundo informações repassadas pela equipe, o Cogacri foi fundado em 3 de setembro de 2015 por Lari Sali, um dos imigrantes de Gana que chegaram a Criciúma a partir de 2014. No mesmo período, a cidade também recebeu moradores vindos de Togo.

Os integrantes do time já praticavam futebol em seus países de origem e decidiram criar uma equipe própria em Criciúma. O Cogacri, inclusive, já participou de outras edições do Campeonato Municipal.

Atualmente, o presidente e técnico do grupo é o ganês Sumaila Musthafá, que vive há mais de 10 anos em Criciúma. Antes de assumir a equipe, ele atuou por vários anos como jogador do Metropol, clube que também estará na disputa do Municipal.

Trajetória de Musthafá em Criciúma

Musthafá trabalha como eletricista, prestando serviços para uma concessionária de energia elétrica. Ele é casado com Cristilaine, que também auxilia nas atividades do time, e é pai de Tainá, de 12 anos.

O dirigente afirma que construiu sua vida em Criciúma e não pretende retornar definitivamente a Gana. As viagens ao país de origem ocorrem apenas quando possível, para visitar pais e familiares. No futebol brasileiro, ele torce pelo Flamengo, enquanto outros atletas do grupo têm preferências variadas, incluindo torcedores do Criciúma.

Preparação para a competição

O Cogacri ainda não possui campo próprio para mandar seus jogos, uma demanda que a equipe pretende resolver futuramente. Mesmo assim, o grupo segue treinando para a estreia no Campeonato Municipal.

A equipe também busca apoio e patrocínios para manter a participação na competição. Recentemente, a mobilização permitiu a encomenda dos uniformes que serão usados no campeonato.

Os jogadores do Cogacri são muçulmanos e seguem práticas religiosas como não consumir bebida alcoólica, não fumar e respeitar o Ramadã, período em que os fiéis não comem nem bebem entre o amanhecer e o pôr do sol.

Musthafá lembra que a rotina religiosa já teve impacto direto em competições anteriores. “Um dos campeonatos que o Cogacri disputou foi bem no mês do Ramadã e em muitos jogos a dificuldade era grande por causa do jejum em dia de forte calor”, afirmou.

Torcida dividida na Copa do Mundo

Além do Campeonato Municipal, os jogadores também acompanham a expectativa pela Copa do Mundo. Gana está no Grupo L da competição, e a presença da seleção africana gera atenção especial entre os atletas.

Questionado sobre a torcida dos ganeses do Cogacri em um eventual confronto de interesses entre Brasil e Gana, Musthafá preferiu não cravar uma resposta. “Ah, melhor deixar quieto”, brincou o dirigente.

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